Venha conhecer a obra Otelo, de Willian Shakespeare. Neste nosso primeiro comentário, falamos sobre o primeiro ato da peça, onde Iago e Rodrigo tentam destruir o general mouro Otelo, este que se casou com a bela Desdêmona e agora terá de provar que realmente conquistou a nobre dama.

Willian Shakespeare
O ódio de Iago contra Otelo

O ódio de Iago contra Otelo

A obra começa na cidade de Veneza, na Itália. Durante à noite, Rodrigo e Iago, dois subornados do general mouro Otelo, conversam sobre o seu superior. Iago diz que está muito ofendido por Cássio ter sido nomeado como tenente em seu lugar. Na opinião de Iago, ele é quem deveria ser escolhido para o cargo, e não o soldado Cássio.

Iago diz que não receber tal promoção foi injusto, sendo que Cássio foi escolhido por recomendações e amizades, e não por seu mérito. Com esse ressentimento, Iago mostra o ódio que possui por Otelo, dizendo que não será tolo de servi-lo lealmente, pois não obterá nenhum lucro com isso. Afirma que serve apenas aos seus interesses e não vê nenhum problema em parecer ser o que não é para conquistar seus próprios fins, já que ele “não é o que ele realmente aparenta”.

Nisto, Iago coloca em prática seu plano para acabar com o mouro Otelo. Sabendo que o mouro se casou em segredo com a Desdêmona, filha do senador Brabantio de Veznea, Iago pretende denunciá-lo. Para isso, vai com Rodrigo até a casa do senador contar tudo o que sabe. Ao acordarem o velho, dizem que sua filha fugiu para se casar com o mouro Otelo, sendo que utilizam de insultos para se referir ao mouro. Incrédulo, Brabantio vai até o quarto de Desdêmona e confirma que ela desapareceu. Como é parte de seu plano, Iago abandona o local e volta para o seu posto, deixando apenas Rodrigo na casa de Brabantio, já que sabe que, mesmo que Otelo seja punido por casar com a filha do senador, o mouro ainda é muito importante para o estado de Veneza, não sendo afastado de seu cargo.

Não acreditando que sua amada filha tenha fugido para se relacionar com um estrangeiro, Brabantio, sendo influenciado por Rodrigo, diz que Desdêmona deve ter sido manipulada por alguma artimanha ou feitiço. Querendo acabar com o mouro, Brabantio convoca a guarda e vai junto com Rodrigo para prender Otelo.

Otelo, o mouro de Veneza

Noutro local de Veneza, Otelo conversa com Iago, sendo que este, como sempre finge ser uma pessoa virtuosa, diz que, embora já tenha matado muito soldados inimigos, nunca o fez de forma premeditada, apenas por causa do seu ofício.

Ao perguntar sobre o caso dele com Desdêmona, Iago questiona as consequências de tal ato, já que Otelo não é um nobre veneziano para se casar com a bela filha do senador. Em resposta, o mouro diz não se importar com qualquer punição, já que a sua consciência está tranquila após servir por tantos anos. Além disso, também diz que seu sangue, apesar de africano, também é real, e que seus méritos são grandiosos.

Nisto chega o tenente Cássio com alguns oficiais. Sob o comando do duque de Veneza, eles vieram para convocar o general Otelo para uma questão militar de urgência: um conflito contra as forças turcas vem se desenrolando e, sendo um grande comandante, os serviços de Otelo são necessários.

Quando iam em direção ao duque, são surpreendidos pelo senador Brabantio, Rodrigo e os oficiais da guarda, que desejam prender Otelo. Com espadas na mão, eles questionam o mouro sobre o paradeiro de Desdêmona, pois acreditam que ela, sendo uma jovem de origem nobre, somente se casaria com Otelo sob o efeito de algum tipo de feitiço. Mas, ao saber que o duque desejava o ver, Brabantio não prende Otelo neste momento, preferindo deixar nas mãos do regente de Veneza a decisão sobre o que fazer com o mouro.

O julgamento de Otelo

No salão do senado de Veneza, o duque e senadores discutem a delicada situação que a cidade se encontra no momento. Veneza está em conflito com forças turcas, sendo que os relatórios informam uma grande quantidade de embarcações indo atacar Chipre.

Nisto chega Brabantio trazendo Otelo, Rodrigo e Iago. Antes que o duque possa tocar no assunto militar, o senador toma a palavra para falar sobre a situação de sua filha, acusando Otelo de tê-la enfeitiçado e possuí-la, já que, para ele, é inimaginável que Desdêmona se apaixone pelo mouro. 

Tendo muito mais bom senso e sabedoria do que Brabantio, o duque de Veneza deixa que Otelo dê sua versão dos fatos e possa se defender de tais acusações. O mouro começa confirmando que realmente está com Desdêmona, mas que a sua esposa se casou de bom grado, tendo ela se apaixonado por ele. Ele lamenta que, dentre as suas qualidades, não estão os dotes argumentativos da fala e, por isso, pede para que tragam sua amada para argumentar em sua defesa. Enquanto vão busca-la, Otelo conta que eles se envolveram quando ela, por ouvir as histórias de sua vida e as batalhas que enfrentou, ficou encantada pela sua bravura. Ele, ao ver que ela se apiedava dos seus sofrimentos, também acabou se apaixonando. Com a chegada de Desdêmona, o duque de Verona pede para dar sua versão, onde a bela jovem confirma que ama Otelo.

Tendo sido provado a inocência do mouro quanto à tais acusações, os homens presentes voltam suas atenções para o ataque dos turcos contra Chipre. Sendo Otelo um grande general, eles pedem para que tome a frente do combate e parta imediatamente para Chipre. Desdêmona aproveita a situação para pedir para seguir viagem com seu marido, sendo que o duque concede tal pedido.

Iago e Rodrigo, ao verem o desfecho de suas acuações contra o mouro, conversam sobre os próximos passos. Sendo um grande manipulador, Iago tenta manter Rodrigo ao seu lado, já que este, por ver que não conseguirá tomar a bela Desdêmona do mouro, chega a até pensar em se matar; diz que as virtudes não importam, sendo que a vontade é o mais importante e, por isso, ele não deve desistir da mulher que deseja.

Com um deles querendo se vingar de seu superior, enquanto o outro deseja destruir o homem daquela que ama, ambos se mantêm unidos contra Otelo, sendo Iago quem alimenta o ódio de Rodrigo. Quando Iago fica sozinho, se vangloria de enganar Rodrigo. O próximo passo do plano de Iago para destruir Otelo é faze-lo acreditar que Cássio, seu novo tenente, possui um caso com Desdêmona.

William Shakespeare: Teatro Completo

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Esse foi o nosso primeiro comentário sobre a obra Otelo, de Willian Shakespeare, onde vemos que Iago e Rodrigo tentam destruir o general mouro Otelo, este que se casou com a bela Desdêmona e agora terá de provar que realmente conquistou a nobre dama.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Shakespeare, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.