Neste nosso quarto comentário sobre Otelo, falamos sobre o quarto ato da peça, onde Otelo já está completamente dominado pelas mentiras de Iago e começa a planejar a morte de Cassio e de Desdêmona.

Willian Shakespeare
A ira de Otelo

A ira de Otelo

O quarto ato da peça ainda se passa no castelo de Chipre, com Iago e Otelo conversando sobre a traição de Desdêmona com Cassio, sendo que Iago, continuando com seu plano, alimenta Otelo com mentiras para que ele odeie Desdêmona ainda mais. Como Otelo já tem certeza da traição, Iago começa a inventar que viu Cassio se gabando de estar com Desdêmona, o que faz Otelo ter uma crise de epilepsia por causa do grande ódio que ele sentiu ao ouvir isso.

Neste momento Cassio entra no local e, vendo que seu comandante está passando mal, vai em seu auxílio, mas é impedido por Iago, que diz que, quando acontecem essas crises, não se deve fazer nada, pois interferir pode piorar o quadro da pessoa. Ouvindo os conselhos de Iago, Cassio não faz nada e se retira do local, para que então retorne mais tarde.

Quando Otelo recupera a consciência, Iago comenta que Cassio esteve aqui e que já foi embora, mas que em breve retornará. Aproveitando essa situação, Iago irá manipular Cassio quando ele voltar, fazendo-o dizer algumas coisas maliciosas sobre sua amante Bianca, sendo que, estando Otelo escondido, este acreditará que Cassio está se gabando de ter ficado com Desdêmona.

Tendo em plano em sua mente, Iago começa a colocá-lo em prática: diz para Otelo se esconder e aguardar a chegada de Cassio. Quando Cassio chega, Iago começa a falar sobre o relacionamento que ele tem com Bianca, sendo que o tenente responde como ela o deseja tanto que vive o perseguindo e até fala em casamento. Neste momento, enquanto Cassio fala sobre como Bianca o adora e persegue, a mulher entra no local. Ao vê-la, Cassio questiona o motivo dela o seguir por todo o lado; irritada com a pergunta, ela o xinga por ter que ficar copiando o lenço que recebeu, lenço este que é o de Desdêmona. Quando Bianca sai, convida o tenente para cear à noite com ela; contente com o convite, Cassio deixa o local, indo atrás da amante.

Otelo finalmente sai das sombras e, sem hesitar, pergunta a melhor maneira de matar Cassio, já que o mouro caiu completamente na armadilha de Iago, este que continua instigando Otelo, falando sobre o modo que Cassio se referiu a Desdêmona e, já tendo recebido seu lenço, agora o entregou para uma puta qualquer.

Descontrolado pela raiva, Otelo jura de morte Cassio e Desdêmona, dizendo que ambos morrerão nesta mesma noite. Iago, vendo que já conseguiu o que queria, termina dizendo que Otelo deve matá-la em sua cama, estrangulando o seu pescoço nos cobertores em que ela o traiu.

Ambos são interrompidos por um soar de trombetas que anunciam a chegada de Ludovico, primo do senador Brabântio. Ele vem acompanhado de Desdêmona e saúda o general Otelo, lhe entregando uma carta do Duque e dos senadores de Veneza; ele também pergunta sobre Cassio e, estando Desdêmona presente, ela comenta da briga que Otelo teve com o tenente.

Vendo novamente como Desdêmona insiste em falar sobre Cassio e, ao ler a carta, saber que o tenente foi promovido para governador de Chipre e tomou o seu lugar, Otelo se enfurece com Desdêmona e lhe dá um tapa.

Ludovico fica muito surpreso ao ver Otelo agredindo sua prima Desdêmona e, quando está sozinho com Iago, questiona se este é o mesmo mouro que o senado de Veneza tem tanto respeito. Como Iago não quer que Ludovico atrapalhe a parte final de seu plano, ele nega que Otelo esteja louco, afirmando apenas que ele não está muito bem.

O sofrimento de Desdêmona

Dentro do Castelo, Otelo interroga Emília, querendo saber se ela viu Desdêmona e Cassio juntos. Ela, sendo sincera e querendo defender Desdêmona, diz que jamais viu nada acontecer entre os dois, e que sempre esteve ao lado de Desdêmona em todas as ocasiões que ela falou com Cassio.

Apesar de Emília dizer várias vezes que Desdêmona é uma esposa leal e honrada, Otelo não consegue acreditar em suas palavras. Então manda chamar sua esposa que, ao chegar e ficar de frente para Otelo, é questionada por seu marido sobre a sua fidelidade. Ela fala a verdade da forma mais sincera possível, onde diz que sempre foi honesta, mas isso não é o suficiente para remover as mentiras corruptoras que Iago plantou na cabeça de Otelo.

Otelo xinga e insulta Desdêmona, acusando-a de ser mentirosa e, por se relacionar com outro que não seu marido, também a xinga de puta. Os insultos são interrompidos quando Emília, que tinha sido expulsa do quarto, retorna ao lugar. Otelo, que está muito descontrolado, deixa o recinto. Emília, estando muito surpresa com tudo o que acontece, questiona Desdêmona sobre a mudança de comportamento de Otelo, mas ela não consegue dizer nada, sendo que apenas pede para Emília preparar sua casa para dormir e que chame Iago. Quando Iago chega, Desdêmona, já estando muito perturbada, pergunta o motivo de seu marido, que até pouco tempo era bom e amável, agora a insulta com os piores nomes. Emília diz que Otelo deve ter sido manipulado por alguém, pois somente assim ele duvidaria da fidelidade de Desdêmona, sendo que Iago, ouvindo essas suposições, tenta tira-las da mente de sua esposa, dizendo que é improvável que alguém tenha plantado alguma mentira na cabeça de Otelo.

Como não sabe que todo o seu sofrimento é causado pelas mentiras de Iago, Desdêmona pede para que o ele vá até Otelo e a ajude a recuperar o seu amor. Iago tenta acalmá-la, dizendo que Otelo deve estar sobrecarregado com os problemas de Estado. Nisto soam trombetas, anunciando a ceia com os delegados que vieram de Veneza, fazendo com que Desdêmona vá embora junto com Emília.

Quando está sozinho, Iago recebe a visita de Rodrigo, que começa a questionar os motivos de Iago e como ele só tem se prejudicado ao seguir seus conselhos. Diz que não teve avanço algum com Desdêmona e que teme jamais conquista-la. Iago, sendo o manipulador que é, consegue facilmente convencer Rodrigo a continuar seguindo seus conselhos. Diz que Cassio foi nomeado governador de Chipre e, com essa decisão, Otelo e Desdêmona deverão se retirar para outra província, a menos que algo ruim aconteça com Cassio, algo que o próprio Rodrigo irá fazer. Com essas palavras, diz que Cassio deve morrer e que a melhor oportunidade é agora, enquanto ele está ceando com sua amante e ainda não sabe de sua promoção.

Iago sai levando Rodrigo, dizendo que o convencerá a matar Cassio.

A despedida de Desdêmona

No outro lugar do Castelo, Otelo recebe Ludovico e os demais delegados de Veneza junto com Desdêmona e Emília. Quando Otelo e Ludovico saem para caminhar e conversar, o mouro manda que Desdêmona dispense Emília e o aguarde na cama.

Estando juntas, Emília lamenta o sofrimento de Desdêmona, dizendo que deseja que sua senhora nunca tivesse conhecido este mouro cruel. Em resposta, Desdêmona diz que é feliz por ter conhecido seu amor e, para a surpresa de Emília, pede para que seja enterrada com sua roupa de cama.

Tentando afastar a tristeza, Desdêmona canta uma canção que a aia de sua mãe entoava quando ela era jovem. Então pergunta para Emília se ela trairia seu marido, que responde que não faria tal coisa, a menos que recebesse todo o ouro do mundo, pois com esse mesmo ouro faria seu marido monarca. Em contraste, Desdêmona diz que jamais faria tal coisa e que não acredita que existam mulheres que traiam seus maridos. Surpresa com a ingenuidade de Desdêmona, Emília diz que existem muitas mulheres infiéis, embora isso seja, na verdade, culpa dos próprios maridos, pois recebem os cornos quando não valorizam e respeitam as suas esposas. Diz que a mulher, assim como é doce, também pode ser amarga, e que, assim como o homem, tem seus desejos e seus momentos de fraqueza.

Ouvindo essas palavras, Desdêmona se despede e vai dormir, sendo que pede para Deus lhe ensinar a nunca pagar o mal com mal.

William Shakespeare: Teatro Completo

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Esse foi o nosso comentário sobre o terceiro ato de Otelo, onde falamos que Iago é bem sucedido em manipular Otelo, fazendo o mouro acreditar que sua amada Desdêmona está tendo um caso com o tenente Cássio.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra de Shakespeare, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.