Neste nosso quinto comentário sobre Otelo, falamos sobre o quinto e último ato da peça, onde Rodrigo e Iago tentam assassinar o tenente Cássio, enquanto Otelo mata Desdêmona e depois comete suicídio.

Willian Shakespeare
A morte de Desdêmona e Otelo

O ataque contra Cássio

O quinto ato da peça começa com Iago e Rodrigo preparando uma emboscada contra Cássio durante a noite. Rodrigo, sendo sempre manipulado por Iago, fica na surdina esperando Cássio chegar para mata-lo, enquanto Iago fica escondido, sem participar do ataque. Iago deseja que ambos lutem e, no melhor dos casos, que ambos morram. Deseja que Rodrigo morra porque ele não confia em Iago como antes, já que suspeita de suas intenções e também possa querer de volta os bens que deu para Iago. Contra Cássio, seu desejo vem da profunda inveja que tem contra ele, já que Cássio, por seus grandes méritos, conseguiu o cargo de tenente que Iago deseja, além de, depois disso, vir a ser nomeado governador de Chipre.

Quando Cássio passa pelo local, Rodrigo surge das sombras e o apunha-la com uma adaga, mas, como o tenente estava utilizando uma armadura, o golpe não o mata. Sendo muito ágil, Cássio saca sua espada e fere Rodrigo. Vendo que Cássio sobreviveu, Iago sai do canto que estava escondido e, sem deixar que seja visto, o apunha-la pelas costas e sai.

Otelo escuta os gritos e, ao ver que Iago seguiu suas ordens e atacou Cássio, comemora a situação. Feliz com o gosto da vingança, logo deixa o local, dizendo que Desdêmona também pagará com a vida.

Mas, para a sorte de Cássio, chegam Ludovico e um delegado de Veneza no local, pois também ouviram os gritos e vieram saber o que acontecia. Receosos sobre o que pode estar acontecendo, eles ficam relutantes em se aproximar, até que Iago retorna ao local e, ao ver que os delegados estão próximos, percebe que não pode terminar de acabar com a vida de Cassio. Em vez disso, ataca e mata Rodrigo, fazendo parecer que está do lado de Cássio. Cássio é socorrido por Ludovico e Iago, sobrevivendo ao ataque. Bianca entra no local e também ajuda a socorrer o tenente.

Fingindo não saber o que aconteceu, Iago ilumina o corpo de Rodrigo e se faz de surpreso ao ver que foi ele quem atacou Cássio. Ao ver que Bianca passa mal com a situação, Iago levanta suspeitas contra ela, tentando envolve-la no ataque. Ela se defende das acusações, dizendo que não fez nada contra Cássio e também rebate os insultos de Iago, negando ser algum tipo de prostituta.

A morte de Desdêmona e Otelo

Ao entrar em seu quarto, Otelo encontra sua esposa dormindo na cama, assim como ele lhe ordenou. Por ser tão bela, o mouro se recusa a matá-la com alguma arma, pois não quer que nenhuma lâmina machuque sua pele, preferindo seguir o conselho de Iago e enforcá-la na cama. Encantado com sua beleza, ele dá um último beijo em sua esposa, mas acaba acordando-a. Percebendo que ela está acordada, pergunta se Desdêmona fez suas orações e se deseja confessar algum pecado, onde ela mostra seu desespero ao ver que Otelo, seu amado marido, realmente se entregou à loucura e vai matá-la.

Vendo que Desdêmona não confessa nenhuma traição, Otelo questiona o lenço perdido, dizendo que ela deu a Cássio e que os dois tinham um caso. Apesar de falar a verdade com a mais profunda sinceridade, onde diz que perdeu o lenço e que Cassio deve tê-lo encontrado, as mentiras de Iago já corromperam toda a cabeça de Otelo, tanto que conta para ela que Cassio já foi morto.

Desdêmona implora pela vida, pedindo para ser banida, mas Otelo lhe nega o pedido; Desdêmona implora mais uma vez, pedindo para ser morta na noite seguinte, mas Otelo lhe nega outra vez; em seu último pedido, ela implora para ele esperar, para que assim a coitada possa fazer sua última oração, mas Otelo lhe nega novamente e começa a matá-la, estrangulando o seu pescoço.

Nisto chega Emília batendo na porta e pedindo com toda urgência para falar com Otelo. O mouro, vendo que Desdêmona já não se salvará, a esconde atrás do cortinado da cama. Emília entra no quarto e informa Otelo sobre a confusão que ocorreu nas ruas de Chipre, dizendo que houve um conflito entre Cássio e Rodrigo, onde o primeiro matou o segundo. Ao saber que Cássio continua vivo, Otelo se mostra muito surpreso.

Então, usando as poucas forças que lhe restam, Desdêmona chama por Emília, que a encontra agonizando; Emília nada pode fazer para salvá-la, ha não ser ouvir suas últimas palavras de Desdêmona, que diz morrer sem ter nenhuma culpa. Apesar de tudo, Desdêmona não diz para Emília que foi assassinada por Otelo, partindo sem entregar o terrível crime de seu marido assassino.

Uma discussão se inicia entre Otelo e Emília, onde o mouro diz que destino de Desdêmona foi merecido por seu uma adúltera, enquanto a aia defende a pobre mulher e acusa Otelo de ser um monstro tomado pelo diabo. Tentando justificar seus atos, Otelo diz que Desdêmona e Cássio tinham um caso e que Iago é prova de tudo o que houve. Com os gritos de Emília, Iago entra no quarto acompanhado dos delegados de Veneza. Vendo que seu marido está presente, Emília o acusa na frente de todos, dizendo que Iago, por ser um invejoso, manipulou Otelo e o fez assassinar a inocente Desdêmona.

Otelo, ao ouvir as afirmações de Emília, se mostra incrédulo, e diz que a prova do ato foi o lenço que Desdêmona teria dado para Cássio. Quando Emília ouve isso, se prepara para revelar a verdade sobre o lenço, mas Iago tenta silencia-la com uma faca no pescoço. Embora seja ágil e astuto, os demais presentes conseguem conter Iago e deixam Emília contar a verdade. Ela fala que Desdêmona deixou cair o lenço no chão e que foi a própria Emília que o encontrou. Como Iago, por incontáveis vezes, pediu para sua esposa roubar o lenço, ela entregou o pano para ele. Decidido a matar Emília e silenciar as verdades que saem de sua boca, Iago se solta das mãos daqueles que o seguravam e apunha-la Emília, matando a sua própria esposa. Iago foge do local, mas é perseguido pelos homens que estravam presentes.

Graziano, um dos responsáveis pela administração de Chipre, questiona Otelo sobre o ocorrido e tenta prendê-lo. Em resposta, o mouro segura sua espada e diz que, se quisesse, derrotaria ele e todos os demais, mas que agora ele já não tem mais nada para lutar. Vendo tudo o que fez, Otelo lamenta profundamente ter matado sua amada Desdêmona.

Quando os delegados de Veneza retornam com Iago capturado, o mouro fere seu subalterno traidor, mas não consegue mata-lo, pois ninguém pode matar o diabo. O tenente Cássio, que foi trazido em uma cadeira até o local, questiona as atitudes de Otelo, dizendo que ele nunca deu motivos para que o mouro o assassina-se. Em resposta, Otelo apenas consegue se desculpar, lamentando ter desconfiado de sua lealdade.

Vendo toda a desgraça que aconteceu e, sendo informado que já não é mais governador de Chipre e nem comandante, Otelo se despede de todos os presentes pedindo que, quando contarem a sua história, sejam honestos e sinceros. Com a espada na mão, o mouro se golpeia e morre, caindo sobre o corpo de Desdêmona.

Agora que foi promovido a governador, é Cassio quem deve decidir a punição do cruel e maligno Iago, enquanto os delegados deixam Chipre para retornar à Veneza e relatar as desgraças que ocorreram por aqui.

William Shakespeare: Teatro Completo

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Esse foi o nosso comentário sobre o quinto ato de Otelo, onde falamos que onde Rodrigo e Iago tentam assassinar o tenente Cássio, enquanto Otelo mata Desdêmona e depois comete suicídio.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra de Shakespeare, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.