Neste nosso quinto comentário, falamos sobre o quinto e último ato da peça, onde vemos a vingança de Edgar contra Edmund, que mata seu irmão traidor e restaura a ordem no reino da Grã-Bretanha.

Willian Shakespeare
A morte de Lear e de Cordélia

O dilema do bastardo

O quinto e último ato da peça começa no acampamento do exército inglês que está instalado perto de Dover. Nele, Edmund e a princesa Regan estão reunidos com os cavaleiros e soldados para se prepararem para atacar as tropas francesas que estão invadindo a Grã-Bretanha. Agora que está viúva, já que o duque de Cornwall foi assassinado, Regan faz juras de amor a Edmund e pergunta se o sentimento dele é igual, além de questionar se existe alguma coisa entre ele e a princesa Goneril, a sua irmã. Edmund responde que tem os mesmos sentimentos e que não existe nada entre ele e Goneril.

Eis que chegam o duque de Albany, a princesa Goneril e demais soldados ingleses. O duque comenta que a princesa Cordélia e o rei Lear estão no acampamento francês, sendo que o próprio duque afirma que a causa dela e de seu pai é justa. Quando Edmund, Goneril e Regan saem da tenda deixando Albany sozinho, chega Edgar, que está disfarçado de camponês. Ele entrega uma carta para o duque e pede para que ele leia antes da batalha e, se sair vencer, que chame o camponês que a entregou. Então sai da tenda, sendo que logo em seguida Edmund volta anunciando o começo da batalha.

Sozinho na tenda, Edmund reflete sobre a sua situação. Ele jurou amor às duas princesas e agora vê que elas começam a se digladiar por ciúmes. Percebe que não pode ficar com as duas, e a que não for escolhida não poderá viver, já que a sua rejeição certamente será perigosa. Além disso, o duque Albany, marido de Goneril, ainda está vivo, embora este agora apenas seja útil por causa da batalha. Também discorda da opinião do duque de polpar Cordélia e Lear após a vitória, pois Edmund não deseja os perdoar.

A vitória dos ingleses

Na planície que fica entre os dois campos, Edgar, que ainda está disfarçado, passa levando Gloucester. Ele deixa seu pai num canto para poder participar da guerra. Tempo depois retorna informando que as forças francesas que lutavam por Lear e Cordélia foram derrotadas. Por causa disto, os dois precisam fugir do lugar.

No acampamento inglês, o vitorioso Edmund vem com Lear e Cordélia, ambos seus prisioneiros. Cordélia diz que não se arrepende, tendo feito o certo por seu pai e, quando pede para confrontar a face de suas irmãs, Lear diz que prefere a prisão. Com o pouco de sanidade que ainda lhe resta, Lear abraça Cordélia e lhe pede desculpas. Ambos então são levados pelos guardas para a prisão dos reféns que foram capturados.

Edmund chama um capitão do seu exército e lhe incumbe uma ordem secreta, ordem está que, se for cumprida à risca, lhe garantira uma grande promoção. O capitão fica empolgado com a oportunidade e aceita a sua missão. Quando ele sai, chegam Albany, Goneril, Regan e demais soldados. O duque saúda Edmund por sua vitória e pede para que os prisioneiros sejam tratados com o devido respeito que os nobres merecem, onde Edmund, fingindo confiar e respeitar Albany, diz que Lear e Cordélia serão muito bem tratados.

No momento que Albany mostra que não deseja nenhuma relação fraternal com Edmund, Goneril e Regan tomam a frente para saudá-lo. Regan, que agora está viúva, aproveita a oportunidade e declara suas intenções amorosas na frente de todos. Ao ouvir isso, Albany diz que não autoriza a união dos dois e, quando Edmund responde que isso não é da conta do duque, um desentendimento começa entre todos. Ao perceber que existia alguma relação de Edmund com Goneril, Albany o acusa de traição e desafia-o para um duelo. Seguindo as tradições, são convocados causadores e defensores para Edmund, onde estes deverão falar contra ou a favor de sua pessoa. Eis que surge Edgar armado e que, sem revelar sua identidade, acusa Edmund de ser o mais vil dos homens por ter traído seu pai e seu irmão. Puxa a espada e o desafia para duelo, onde Edmund aceita após ficar ofendido com as acusações. Os dois lutam e Edmund cai diante de Edgar.

Prestes a morrer, Edmund confessa ser culpado das acuações e fica surpreso ao descobrir que o seu adversário é Edgar. O duque de Albany, vendo que este era Edgar e sabendo ele foi vítima de seu cruel irmão bastardo, o saúda e lhe pede perdão. Edgar conta que, quando descobriu que seria condenado por seu próprio pai, fugiu para os ermos e se disfarçou de um mendigo louco chamado Tom. Apesar dos atos de seu pai, ele não o abandonou, continuando a segui-lo e depois vindo a ser seu guia quando Cornwall o cegou. Diz que manteu seu disfarce até o final quando, decidido a enfrentar Edmund, confessou ser Edgar para seu pai Gloucester, este que faleceu ao saber disto. Também menciona que, momento antes de Gloucester partir, surgiu um homem que narrou uma história envolvendo ele e o rei Lear, onde conta que, assim como Edgar, também foi traído por seu senhor, mas jamais o abandonou. Quando Albany questiona quem é este cavaleiro tão leal, Edgar diz que é o banido conde de Kent.

Então entra um cavaleiro com uma faca ensanguentada na mão que relata que Regan envenenou Goneril e depois se suicidou. Vendo o mal que causou a todos e que já está próximo de sua morte, Edmund conta onde mandou prender Cordélia e Lear, mas diz que eles precisam ser rápidos no resgaste, pois ele e Goneril já tinham ordenado a execução dela.

Após um tempo o cavaleiro chega trazendo o rei Lear, este que traz o corpo morto de Cordélia em seus braços. O desespero de Lear comove a todos, pois ele ainda não acredita que sua filha morreu. Conta que ele tentou salva-la, mas que o assassino conseguiu cumprir sua tarefa. Ao olhar para frente, Lear questiona quem é cavaleiro diante dele e, ao descobrir que é Kent, lamenta que também o negou e baniu, da mesma forma que negou e baniu sua querida Cordélia. Kent diz que Lear não precisa se lamentar, pois ele nunca deixou de lhe ser fiel e leal.

Já estando tudo claro e não havendo mais nada para ele neste mundo, Lear morre ao lado de sua filha Cordélia. Quando Albany pede para Kent o ajudar a restaurar a Grã-Bretanha como um rei, o cavaleiro, mostrando ainda ser leal, diz que logo vai viajar, pois precisa acompanhar o seu senhor.

A obra se encerra com todos saindo numa marcha fúnebre carregando os corpos dos mortos.

William Shakespeare: Teatro Completo

William Shakespeare: Teatro Completo

Obra completa de Shakespeare traduzida por Barbara Heliodora em três volumes, sendo esta a melhor edição para quem deseja conhercer toda a grandeza do teatro shakesperiano. 

 

Esse foi o nosso comentário sobre o quinto e último ato de Otelo, onde falamos sobre a vingança de Edgar contra Edmund, que mata seu irmão traidor e restaura a ordem no reino da Grã-Bretanha.

 

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra de Shakespeare, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.