Neste segundo comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, continuamos a ver a narração das memórias de Brás Cubas, onde ele conta sobre a sua infância e sobre Marcela, a primeira mulher que ele amou.

O jovem Brás Cubas
Sem mais enrolações, Brás Cubas começa a contar as memórias de sua infância. Conta que nasceu no dia 20 de outubro de 1805, sendo ele a alegria de toda a sua família, tanto que seus tios afirmam que um dia ele seria um homem grandioso como Napoleão, ou pelo menos um bispo importante dentro da Igreja Católica. Por nascer num ambiente tão acolhedor e abastado, Brás se tornou uma criança extremamente mimada. Nhonhõ era como todos os familiares e escravos da família o chamavam, embora também fosse conhecido como menino diabo, já que era uma criança muito travessa e inconsequente.
Apesar de sua mãe obriga-lo a decorar os termos religiosos da igreja, o que realmente governava o menino era os seus nervos e impulsos travessos. Como seus pais não o castigavam e não lhe impunham nenhum tipo de limite, Brás Cubas se tornou uma criança que fazia o que bem entendia; um ambiente muito afetuoso, mas sem nenhum tipo de limites. Além de seu pai e mãe, os principais parentes sua família eram o seu tio João e o outro tio que era cônego (padre).
Um episódio cômico da infância de Brás Cubas que ilustra como ele era uma criança mimada e sem limites aconteceu no ano de 1814, quando ele tinha os seus nove de idade. Quando ocorreu a primeira queda de Napoleão Bonaparte, a família Cubas decidiu celebrar o evento com uma grande festa, contando com a presença de figuras importantes das localidades. Foi durante as conversas da elite local, onde se discutiam as novidades e até o comércio de escravos, que o pequeno Brás Cubas aprontou mais uma das suas vilanias: ao ver que um dos figurões estava se encontrando numa moita com uma donzela filha de um sargento, Brás Cubas grita para toda a festa dizendo “Dr. Vilaça deu um beijo em D. Eusébia!”, causando um alvoroço no lugar.
Já com um pouco mais de idade, conta que começou a frequentar a escola, sendo ali que foi encontrar a palmatória – forma de castigo que os professores utilizavam para tentar controlar os nervos de fogo do jovem e diabólico Brás Cubas. Apesar de não gostar daqueles tempos, o defunto autor admite que foi graças a estes castigos que conseguir aprender a gramática e lembra com carinho e respeito do mestre Ludgero Barata. Foi também nesta época que Brás Cubas conheceu Quincas Borba, um personagem que será muito presente em sua vida quando for mais velho. Conta que ele, já nesta época, seu amigo apresentava delírios de grandeza, onde sempre se fantasiava como imperador.
Marcela, seu primeiro amor
Avançando mais alguns anos em sua biografia, quando já era um jovem rapaz com seus dezesseis anos, Brás Cubas conta os casos amorosos de sua juventude. Como todo homem, ele acabou caindo nos encantos de uma figura feminina, no caso, uma espanhola chamada Marcela. Para infelicidade do nosso jovem rapaz, ela não era uma dama inocente e virgem que se guardava um homem para despoja-la; não, Marcela era um jovem sem escrúpulos que adorava ter uma vida luxuosa e, mais ainda, de estar na companhia dos rapazes.
Pouco tempo após vê-la pela primeira vez, Brás Cubas se aproveitou de um momento para beija-la em uma festa; como Marcela era este tipo de mulher sem moral, aproveitou da paixão do rapaz para manipula-lo o máximo possível. Brás logo começou a fazer uma gastança desenfreada para agradar os caros gostos de sua amada, chegando ao ponto de começar a fazer dívidas no nome dos pais para bancar tantos mimos luxuosos. Tamanha era o poder de Marcelo que, mesmo quando Brás não podia comprar mais nada, ela o manipulava e fazia com que o jovem apaixonado gastasse o dinheiro que não tinha.
Essa vida ilusória durou quinze meses pois, quando Brás Cubas conseguiu gastar quinze contos de réis, seu pai se cansou e interveio na situação. Imediatamente ordenou que seu filho arrumasse as malas e fosse estudar na Europa, já que somente novos ares poderiam fazer seu tolo herdeiro deixar de esbanjar sua fortuna com uma aproveitadora. Após tão dura repreensão, Brás Cubas não contrariou os desejos do pai, embora considerasse levar sua amada Marcela junto para a Europa. Quando ela ouviu a proposta de acompanhá-lo nesta mudança e recusa o pedido – alegando que não gostaria de viver nos “ares europeus” – Brás Cubas acaba brigando com Marcela e finalmente percebe que ela só estava interessada nos luxos que recebia. Desesperado com a briga e com a possibilidade de não ter mais sua amada, ele volta atrás em tal decisão e faz um gigantesco empréstimo para comprar a melhor joia da cidade. Ela, ao ver e se deslumbrar com tal preciosidade – um pente de marfim com três diamantes encrostados – subitamente aceita o pedido para acompanhá-lo na viagem. Acontece que a família do jovem apaixonado, por ter ciência do acontecia, interveio de forma drástica: logo após entregar o pente de marfim e deixar a casa de Marcela, Brás Cubas é pego e arrastado por seu pai e por seus tios até um navio que levaria o jovem para Lisboa sem nem lhe dar a oportunidade de se despedir de sua amada.
Brás Cubas tentou lutar para se desvencilhar de seus parentes e voltar para os quentes braços de Marcela, mas não teve força para resistir e acabou aceitando o porvir (embora desejasse soltar nas águas do oceano e nadar de volta para ela).
Rumo ao velho mundo
A embarcação que o levou possuía onze passageiros, sendo que alguns destes eram viajantes que visitavam as terras dos lusíadas à passeio, enquanto outros eram apenas comerciantes que lucravam revendendo bens manufaturados nas terras do novo mundo. Brás Cubas passou toda a viagem sob supervisão do capitão, sendo provável que este fora contratado por seu pai para vigiá-lo e impedir que fizesse alguma loucura (como pular no oceano, por exemplo). Com exceção de um temporal assustador que parecia que colocaria tudo e todos para dormir no fundo do mar, a viagem foi rápida e tranquila, embora a esposa do capitão tenha falecido no caminho e tendo que ser sepultada no mar.

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Edição de Luxo
Edição de luxo em capa dura da Ediotra Garnier é a melhor versão desta obra fundamental para a literatura brasileira.
Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde Brás Cubas conta sobre a sua infância e sobre Marcela, a primeira mulher que ele amou.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.