Neste quarto comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre a breve paixão de Brás Cubas por Eugênia, o reencontro dele com Marcela e quando ele finalmente conhece Virgília.

Machado de Assis
As mulheres de Brás Cubas

A bela coxa

Após aceitar as propostas feitas por seu pai, Brás Cuba finalmente vai até a casa de D. Eusébia. Eles conversam sobre a mãe dele, sendo que as doces palavras que saem da boca da velha fazem ele chorar de saudades da mãe morta. Para acabar com a tristeza, conversam sobre a viagem de Brás Cubas à Europa, com ele contando como foi velejar para longe e como foram os seus anos vivendo no velho continente. Eis que entra pela sala de D. Eusébia uma jovem e tímida menina, esta que foi apresentada como Eugênia, filha de D. Eusébia. Não demorou muito para que a timidez e delicadeza da jovem fizesse o triste e seco coração do protagonista voltar a bater novamente. 

No dia seguinte, Brás Cubas está em sua casa quando entra uma borboleta negra pela sala e começa a lhe circundar. Como na véspera tinha visto uma borboleta na casa de D. Eusébia, ele logo torna a pensar em Eugênia. Ao matar o inseto, se pergunta se ela não fosse desta cor negra, mas, sim, de um belo azul, ele não teria lhe poupado a vida; concluí que não, pois não teria uma vida mais segura se fosse azul ou laranja, mas logo muda de ideia e volta a acreditar que seria melhor se não fosse uma borboleta preta.

Deixando de elaborar pensamentos sobre a cor e a vida das borboletas, Brás Cubas é convidado para ir novamente à casa de D. Eusébia, onde jantaria com ela e com sua filha. Quando as duas aproveitavam a visita do ilustre rapaz para lhe mostrar sua chácara, Brás Cubas percebe algo que não tinha notado anteriormente: Eugênia era coxa (manca). Ao lhe perguntar se ela havia se machucado recentemente, a pobre garota responde com vergonha e timidez que sempre foi assim, desde que nasceu.

A beleza, a timidez e a compostura madura de Eugênia encantavam Brás, mas o problema que a jovem tinha na perna parecia esconder todas essas qualidades. Ele questiona o motivo da natureza fazer uma mulher bonita nascer coxa; era isso o que ele passou a pensar após o jantar. Além disso, pensava nas responsabilidades do casamento e da carreira politica que havia firmado com seu pai.

Acabou de Brás passou a visitar as duas com frequência e, quando Eugênia demonstrou seus sentimentos, ele até conseguiu beija-la. Apesar de ela ser coxa e isso o incomodar muito, Brás Cubas já pensava até em desposa-la, mas Eugênia acabou decidindo se afastar dele, revelando com lágrimas nos olhos que não desejava que ele se casasse com ela, já que seria ridículo para um homem como Brás Cubas se casar com uma mulher coxa. Mesmo com Brás Cubas tentando insistir no relacionamento dizendo não se importar com deficiência da jovem, Eugênia logo o dispensou, sendo este o fim do breve relacionamento que os dois tiveram.

Virgília e Marcela

Voltando para seu pai, Brás Cubas se coloca para aceitar o início na carreira política e, principalmente, casar com Virgília, embora ele ainda sentisse a dor de não poder ficar com Eugênia. O pai dele relembra que o início da carreira política depende do casamento com Virgília, já que o pai da jovem é um conselheiro da monarquia. Diz que já sondou o homem em algumas oportunidades para colocar Brás Cubas como deputado, mas que o verdadeiro interesse é unir as duas famílias ao casar seus dois filhos. Ao visitar a casa de Dutra, Brás Cubas e Virgília não se apaixonaram de imediato. O desejo íntimo dos dois veio a se desenvolver ao longo de alguns encontros.

Num destes dias que foi convidado para um jantar na casa do seu futuro sogro, Brás Cubas acabou indo para uma loja para consertar seu relógio. Ao entrar no local, encontra uma mulher de aspecto gasto, como se ela, apesar de ser bonita, tivesse sofrendo de uma velhice precoce que consumia a sua beleza. Ela era Marcela, o primeiro amor de Brás Cubas.

Por causa da aparência gasta, ele demorou para reconhece-la. Marcela, que antes era uma “dama” rica que possuía muitos presentes e bens luxuosos, agora trabalhava nesta loja vendendo artigos diversos. Ao se reconhecerem, ela conta para ele o que aconteceu nestes últimos anos, onde, além da beleza, foi perdendo todos os bens, sobrando esta loja que herdou de um antigo amor. Ele também conta sobre os anos que passou na Europa e sobre o seu retorno para o Rio de Janeiro. Ali na loja Brás Cubas conserta o relógio e se despede de Marcela, não voltando mais a vê-la.

O encontro com Marcela acabou perturbando muito Brás Cubas naquele dia. Ele, que tinha tido uma manhã e um almoço muito agradáveis e alegres, passou a se sentir mal após encontrar Marcela e relembrar os eventos do passado. Ficou tão abalado que se atrasou para o jantar com Virgília na casa de Dutra, fato que deixou sua pretende muito irritada.

Neste momento da narração, o nosso defunto autor faz algumas observações metafísicas sobre o ocorrido. Comenta que quando uma bola parada recebe um impacto e se move até acertar uma outra bola, esta segunda também passa a se mover. Diz que ele (Brás Cubas), Marcela e Virgília seriam três bolas paradas e, quando Marcela recebeu um impulso do passado, passou a se mover até acertar Brás, este que entrou em movimento e também foi acertar Virgília. Brás Cubas conta tudo isso para dizer como Marcela e Virgília, duas mulheres em extremos sociais opostos, acabam “se encostando” com causa dele.

Acontece que o tímido romance de Brás Cubas e Virgília é interrompido com a chegada de Logo Neves, este que, mesmo não aparentando ter as mesmas qualidades do nosso protagonista, acabou conseguindo lhe tomar a pretendente e a oportunidade na política. O que Brás Cubas mais lembra durante esse episódio foram as conversas de Virgília com seu novo noivo. Neves, sendo muito ambicioso, dizia que seria ministro e, quando Virgília perguntou se seria sua baronesa, ele negou, pois prometeu que seriam ambos marqueses. Essa foi a pá de cal para Brás Cubas, que já aceitou que perdeu sua mulher para outro homem.

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Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde vimos como foi a breve paixão de Brás Cubas por Eugênia, o reencontro dele com Marcela e quando ele finalmente conhece Virgília

 

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