Neste quinto comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre a morte do pai de Brás Cubas e como a divisão da herança da família Cubas rompeu a relação que ainda existia entre Brás e sua irmã Sabrina. Também vemos o caso amoroso que Brás Cubas começa a ter com Virgília.

A morte do pai de Brás Cubas
Quem mais ficou desolado com a perda do casamento foi o pai de Brás Cubas, que se revoltou a ver o seu filho perder a noiva para outro homem. Todos os planos que elaborou ao longo dos anos, todo o esforço para casar seu herdeiro e lhe dar uma carreira pública importante foram pelos ares em pouquíssimo tempo. Revoltado, gritava “Um Cubas!”, aludindo ao fato de seu filho ser deixado de lado por outro. Quatro meses depois veio ao morrer, sendo que a frustração, embora não fosse a principal causa, com certeza colaborou com o óbito.
A herança da família Cubas
Essa morte foi o que faltava para levar a ruína da família. Sem a esposa e agora sem o pai, a família ficava entre Brás Cubas e a Sabrina, sua irmã, sendo que os dois começariam uma disputa pela herança de seus pais. Cotrim, que era marido de Sabrina, fazia as intermediações com Brás para tentar ficar com os bens que eram do interesse de sua esposa. Começam discutindo o valor da grande casa da família e, depois, sobre o valor da casa que Brás tem pra si, com os dois lados não encontrando um acordo amigável. A pouca amizade acaba na hora de dividir os bens de prata que eram da mãe; Sabrina, sendo mulher, desejava herdar a prataria, mas Brás se mostrou egoísta e disse que, mesmo não sendo casado, não abriria mão de nada.
A divisão dos bens acaba sendo concluída, mas ambos os irmãos terminam brigados e se afastando um do outro. Somente muitos anos depois é que Brás Cubas e sua irmã Sabrina voltam a se reconciliar, fato este que o nosso defunto autor narrará com avançar de suas memórias.
Virgília, uma mulher casada
Sem nenhuma noiva e com a família mais afastada do que nunca, Brás Cubas vive os anos seguintes na solidão, praticamente recluso. Como já vinha bancando o escritor e poeta desde de que viveu na Europa, continua esse “ofício” durante esses tempos e até obteve um pequeno reconhecimento por causa disto. Foi fazendo isso que Brás Cubas veio a conhecer Luís Dutra, primo de Virgília. Como ele também gastava suas energias escrevendo notas e poemas, os dois vieram a se tornar próximos, embora Brás Cubas não tivesse a mesma afeição que Luís tinha por ele.
Após fazer algumas observações sobre a importância do nariz para o homem, o nosso defunto autor conta uma conversa que teve com Luís Dutra, que lhe falou que Virgília e Lobo Neves, que já eram casados, acabavam de voltar para o Rio de Janeiro. A partir daí aquele homem solitário e recluso que só se importava com sigo mesmo deixa espaço para um homem que, embora não seja melhor, pelo menos é alguém diferente: um homem apaixonado por uma mulher casada.
Paixão é a palavra, pois foi isso que Brás Cubas sentiu quando viu Virgília após tantos anos. Bela e deslumbrante são as palavras que ele usa para descrevê-la. A questão entre os dois começa quando ela, mesma casada, aceitar valsar com ele num baile; tal atitude não era interpretada como incorreta, já que Brás Cubas foi se tornando muito amigável a Lobo Neves, embora os olhares dos outros já começavam a plantar ideias suspeitas contra os dois.
Achado não é roubado
Como sua consciência já sabia o quão errado eram as suas atitudes, Brás Cubas tentou aplacar sua culpa devolvendo uma moeda de ouro que encontrou no chão. Ao mandar a moeda para a policia e pedir para que devolvessem para quem quer que fosse seu legítimo dono, Brás Cubas passou a acreditar que isso compensaria o desejo que tinha pela mulher de outro homem; até mesmo desenvolveu esse raciocínio criando a “lei de equivalência”, onde propunha que uma ação negativa poderia ser apagada com a realização de uma ação positiva.
Embora faça essas observações sobre fazer o certo e corrigir seus erros, nosso defunto autor narra uma passagem que constata muito com tais ideias. Passados alguns dias, estava andando pela praia e acabou tropeçando num estranho embrulho perdido nas areias. Apesar do receio de levar algo que não fosse seu – e de ser pego fazer tal ato -, Brás Cubas o leva para casa e percebe que encontrou uma boa quantidade de dinheiro. Diferente da moeda que encontrou e entregou à polícia, fato esse que impressionou muito toda a comunidade e, principalmente, Virgília, Brás Cubas não devolveu o dinheiro. Agora dizia para si mesmo que achar dinheiro perdido não era crime, sendo uma felicidade e muita sorte poder encontra-lo; para aliviar sua consciência, pretende empregar a somatória em alguma boa ação.
Com a constante presença de Brás Cubas no círculo social de Virgília e Lobo Neves, acabou que a mulher do deputado começou a corresponder aos sentimentos do nosso defunto autor, dando início ao caso amoroso dos dois. Essa paixão foi muito rápida e forte, quase que saindo do controle; começando com um beijo dado pela própria Virgília, Brás Cubas logo é completamente tomado por aquele desejo que antes somente influenciava as suas decisões. Ele conta que não conseguiu dormir após o primeiro beijo de Virgília, ficando acordado durante toda a noite escutando o pêndulo do relógio e pensando como que cada batida dele sinalizava o tempo que ia embora e nunca mais seria recuperado. Quando finalmente cai no sono por causa da insônia extrema, Brás Cubas sonha que está com Virgília, mas que ambos eram Adão e Eva e que ficavam repetindo: Brás Cubas e Virgília. Ele relembra o passado, quando destino não permitiu que os dois se casassem, e que agora eles, apesar de comprometimento de Virgília, podem realmente se amar.
A verdade é que o comprometimento de Virgília com Neves não atrapalhava em nada o seu caso amoroso com Brás Cubas. Como tinha total confiança em sua esposa, Neves nem chegava a pensar que ela lhe estivesse colando cornos; além de ser belíssima, Virgília apresentava uma moral acima de qualquer suspeita. A amizade de Neves com Brás Cubas também ocultava qualquer suspeita, já que o nosso defunto autor vivia na casa dele, sendo praticamente alguém da família. Foi nessas visitas que Neves confessou o quão frustrado ele está com a sua vida pública. Diz que, apesar do esforço, não sai do lugar, parecendo uma galinha que bate as asas, mas não levanta voo; confessou que estava em crise.
Saindo da casa de Neves, Brás fica pensando sobre a crise existencial de seu amigo e, no meio destes pensamentos, lhe surgiu a possibilidade de ser um ministro de estado. Tais pensamentos não lhe são novos, já que, se não nos esquecermos, era Brás Cubas quem se casaria com Virgília e começaria uma carreira na política.

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