Neste sétimo comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre a casa de D. Plácida que Brás Cubas utiliza para que pudesse continuar se encontrando escondido com Virgília, e sobre a quase mudança que ela e Neves fizeram.

O ex-escravo que comprou um escravo
Enquanto pensava na ideia de arrumar uma casa para se encontrar em segredo com Virgília, Brás Cubas presencia uma briga que acontece entre dois negros na rua. Na verdade, não era uma briga entre os dois, mas, sim, uma surra que um dava no outro, pois um era escravo do outro e parece que o escravo tinha feito algo que não agradou o seu dono. Brás Cubas descobre que o dono do escravo era Prudêncio, o menino negrinho que Brás brincava quando era criança e que seu pai libertou alguns anos antes de morrer. Após se aproximar e cumprimenta-lo, descobre que Prudêncio, mesmo sendo um ex-escravo, adquiriu um escravo e estava o castigando por ser bêbado e desobediente. Brás Cubas pede para que Prudêncio perdoe o seu escravo e que pare com toda a confusão, o que ele acata de imediato. Brás Cuba então relembra como maltratava Prudência na infância e que ele, agora que é livre, desconta os maus tratos que sofreu em outra pessoa.
A casa de D. Plácida
Voltando a falar da casa que arrumou, Brás Cubas conta que Virgília a preparou com muito carinho, enfeitando e decorando o lugar para que eles dois realmente se sentissem confortáveis e tranquilos. Para não levantar suspeitas, colocaram D. Plácida para viver ali, sendo que ela seria a “dona do casebre” para quem quer que olhasse para o lugar. A princípio, a velha recusou ser cumplice dos dois, mas logo foi convencida pela oportunidade de ter um lugar para viver seus dias, além de receber um bom dinheiro de Brás Cubas (ele deu justamente o dinheiro que tinha achado perdido na praia).
Após fazer alguns comentários sobre como está desconfortável ao escrever esse livro depois da morte e também fazer previsões sobre um tipo de pessoa que surgirá no futuro, o nosso defunto autor continua a narração de suas memórias dizendo como foram os seus dias se encontrando escondido com Virgília na casa de D. Plácida.
Aproveita para contar sobre a história de D. Plácida. Narra que ela perdeu o pai muito cedo e que sobreviveu cozinhando doces com sua mãe até que, ao entrar na adolescência, se casou e teve uma filha. Para seu infortúnio, o marido morreu e lhe deixou viúva, tendo ela que voltar a cozinhar doces para sobrevier. Por ser uma mulher muito bonita, foram surgindo outros pretendentes, mas nenhum que quisesse se casar e ajudar a sustentar ela, a filha, e a mãe idosa que ainda estava viva. Por causa disso, rejeitou esses homens que apenas queriam namoro, preferindo continuar solteira. Após uns anos sua mãe morreu e sua filha, que já está moça, fugiu com um sujeito qualquer e sumiu no mundo, deixando D. Plácida sozinha. Nesta época já tinha os seus cabelos brancos e acabou indo cozinhar na casa da família de Virgília para não virar mendiga, sendo que depois foi acolhida por Brás Cubas para viver na casa que ele usava para se encontrar com Virgília.
Ao saber sobre a história da velha, Brás Cubas ficou um pouco culpado por utilizar uma pobre e coita como ela para poder ter seus casos amorosos. D. Plácida ficou muito incomodada nos primeiros dias que as coisas aconteciam, já que ela era cúmplice deste adultério. Virgília, por outro lado, chegava sempre empolga na casa, embora também mostrasse um ar de vergonha. Vinha sempre vestida como se estivesse de luto e utilizava a idade e a carência de D. Plácida como justificativa para ir até a casa.
A mudança de Virgília
Passados alguns meses, Lobo Neves anuncia a possibilidade de assumir um cargo noutra província do império*. Apesar de Virgília não gostar da proposta, já que vivia um caso secreto e perfeito com outro homem, Logo Neves logo depois anunciou que aceitou a proposta.
Quando Virgília contou para Brás Cubas, ele ficou quase tão desesperado e aflito quanto ela. A mera possibilidade dos dois se separarem parecia o fim do mundo para eles – talvez pior que o próprio Inferno. Brás Cuba torna a tentar coagi-la a fugir e abandonar tudo por ele, mas ela novamente rejeita o seu pedido. O desespero de Brás Cubas aumentou ainda mais com essa rejeição, levando-o a parar de visitar a casa de D. Plácida para encontrar Virgília até que ela mudasse de ideia e fugisse com ele, ou que ambos encerrassem de uma vez esse caso amoroso.
Mas, como não conseguia ficar muito tempo longe dela, Brás Cubas decidiu ir vê-la na casa de Lobo Neves, para que assim também aproveitasse o momento e entendesse melhor a promoção que ele recebia. Nesta visita, Neves diz que não possuía um secretário para o seu gabinete e, como Brás Cubas é reconhecido por seus “talentos” literários, faz o convite para que o amigo o ajudasse nesta nova fase da sua carreira política. “Sim” – disse Brás Cubas sem pensar muito. Ao trabalhar junto com Neves, poderia continuar se encontrando com Virgília e, assim, ambos não precisariam deixar de ser ver, tão pouco fugir para longe.
No dia seguinte, eis que uma nova e agradável surpresa cai no colo do protagonista. Sabrina, sua irmã, vem até sua casa para fazer as pazes após tantos anos brigados. Brás Cubas acolhe sua irmã nos braços e concorda em encerrar a inimizade que se formou entre os dois. Sabrina aproveita a ocasião e apresenta Sara, sua filha de cinco, que consegue encantar o coração de Brás Cubas. Também volta a ter a amizade de Cotrim, seu querido cunhado.
*na época que Machado de Assis escreveu o livro e na época que a ficção acontece, o Brasil não era uma república como é hoje, mas, sim um império.
Rumores e cochichos
Tomado por tamanha felicidade, Brás Cubas saiu pelas ruas falando sobre sua linda sobrinha e sobre seu futuro cargo como secretário de província. Tais comentários reacenderam os boatos de que Brás Cubas estava se envolvendo com Virgília; logo ele ouviu alusões ao nome dela e o ao dele, com essas indiretas ficando cada vez mais comuns ao longo dos dias, tanto que até Brás Cubas não conseguiu disfarçar o riso quando as escutava.
Seu cunhado Cotrim, que estava com Sabrina em uma dessas festas, vai até Brás Cubas para comentar sobre o ocorrido. Repreende o cunhado e diz para que não vá nessa viagem junto com Neves, pois o caso amoroso já é falado em todos os cantos. Sabrina, que não participou de tal conversa, mas já demonstrava que sabia de algo, comenta que já passou da hora de Brás Cubas se casar.
Treze, o número da sorte
Quando Brás Cubas vai até Virgília e conta sobre tudo o que vem acontecendo, comentando que até seu cunhado o intimou a não os acompanhar na viagem e que isso o perturba, Virgília então revela que Lobo Neves desistiu da promoção e não vai mais viajar para outra província. Por mais estranho e pueril que pareça, ela conta que seu marido recusou a nomeação pois ela foi publicada como decreto nº 13 e, sendo ele muito supersticioso, decidiu não prosseguir com a mudança.
“Bendito número treze” – era o que pensava Brás Cubas ao comemorar a renúncia de Neves. Com isso, Virgília continuaria morando no Rio de Janeiro e ambos poderiam continuar vivendo o caso amoroso. Como o motivo da decisão era um segredo que Neves revelou apenas para Virgília, todos ficaram curiosos para saber, sendo que ele apenas dizia que surgiriam interesses pessoais que o impediram de aceitar o novo cargo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Edição de Luxo
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Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde vimos a casa de D. Plácida que Brás Cubas utiliza para que pudesse continuar se encontrando escondido com Virgília, e sobre a quase mudança que ela e Neves fizeram.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.