Neste oitavo comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre como o caso amoroso de Brás Cubas e Virgília atinge seu ápice e começa a desmoronar com tempo, com os dois quase encerrando o relacionamento.

O começo do fim do caso com Virgília
Assim, após o quase fim do relacionamento por causa da mudança de Lobo Neves, Brás Cubas e Virgília voltam a se amar com muito mais intensidade do que antes. Ele atribui isso a quase perda que teve dela, pois essa quase perda fez com que ambos percebessem como seria terrível viverem separados. O defunto autor conta que esse período amoroso com Virgília na casa de D. Plácida foi o cume do relacionamento dos dois, sendo que depois começou uma ladeira irrefreável que extinguiu todo esse amor.
O começo do fim foi uma súbita mudança de comportamento de Virgília, que começou a agir de uma forma estranha e se esquivava de contar o que estava acontecendo.
Antes de falar sobre o que acontecia, Brás Cubas comenta sobre a morte de um parente de Virgília, sobre como era o bom caráter de Lobo Neves e sobre um antigo conhecido chamado Jacó.
O nosso defunto autor então revela o segredo da sua amante: gravidez. Virgília, que era casada e também se deitava com outro homem, estava esperando uma criança. Brás Cubas fica alvoroçado com a notícia. Não por temer ter engravidado a amante, mas, sim, pela possiblidade de ser pai pela primeira vez. Não pensava em mais nada, apenas desejava que a criança fosse sua e que Virgília finalmente deixaria Neves para ficar com ele; até ficava pensando na criança já nascida e amadurecendo, vindo a se tornar um rapaz belo e forte e, futuramente, um homem importante que espalhasse o nome Cubas pelo mundo.
O retorno de Quincas Borba
Nesse tempo que reaparece um antigo conhecido na vida de Brás Cubas, conhecido este que lhe acompanharia a vida pelos próximos anos. Brás Cubas começa relatando que recebeu uma carta de Quincas Borba, seu antigo amigo, e que relembrava o relógio de bolso que havia roubado de Brás numa noite que se encontraram; diz que lamenta o ocorrido e que agora devolve o objeto que roubou. Informa que já deixou de ser o pobre mendigo que era naquela época e que não passa mais aquelas necessidades. Quincas Borba também diz que está trabalhando num sistema filosófico há muito anos e que deseja expor para Brás Cubas em algum momento vindouro. Segundo ele, esse sistema se chama de Humanitismo e será o próximo grande passado da humanidade no caminho da felicidade e da realização.
Brás Cubas leu a carta e não entendeu muito, embora tenha ficado contente ao reaver o relógio roubado. Acredita que Quincas deva ter herdado algum dinheiro de seus parentes, sendo que reaver a vida confortável que teve na infância também lhe recuperou “um pouco” da sanidade.
Morte do filho de Brás Cubas
Noutro dia, num jantar na casa de seu cunhado Cotrim, Brás Cubas é apresentado a Damasceno, marido de uma irmã de Cotrim e que relata as desenvolturas que ocorreram no Império do Brasil durante a revolução de 1831. Relata o encontro com este senhor interessante porque foi justamente neste jantar que Brás Cubas foi apresentado à D. Eulália, filha de Damasceno. Esse encontro foi tramado por Sabrina, que deseja que o irmão se casasse e abandonasse logo o caso que tinha com Virgília. Mas Sabrina nem sequer imaginava que Virgília estava grávida. Conforme passaram os dias, Virgília ficava cada vez mais descontente com a gravidez e com o amor desesperado de Brás Cubas. O descontentamento dela com Brás Cubas piorou quando teve um abordo, vindo a perder o filho que possivelmente era do nosso protagonista.
Brás Cubas recebeu a notícia do próprio Lobo Neves. Neste mesmo dia, Brás Cubas percebe que o comportamento de Neves com ele mudou subitamente, com a antiga e doce recepção do amigo vindo a se transformar em frieza e uma raiva disfarçada de desdém. Virgília depois lhe revela que uma carta anônima foi entregue ao marido e que denunciava o caso que ela tinha com Brás Cubas; revela que Neves a questionou diretamente sobre isso e que ela, mesmo tendo negado as acusações, não conseguiu esfriar a fúria que ardia dentro dele.
Foi neste momento de Brás Cubas percebeu que o relacionamento dele com Virgília estava com os dias contados. Ela, ao relatar tudo isso, não apresentava nenhum sinal de medo ou inquietude, mostrando que já não se importava com a possibilidade do caso dos dois acabar. Isso ficou ainda mais claro quando Brás Cubas tentou lhe beijar e ela recusou.
Eulália
Poucos dias depois, Brás Cubas acabou encontrando Damasceno e Eulália no teatro. Ao ver a filha deste novo conhecido novamente, o nosso protagonista começa a se interessar pela jovem, sendo que ela, desde o jantar anterior, também não lhe tirava os olhos. A princípio, a beleza desta senhorita começava a substituir a paixão que ele tinha por Virgília, paixão está que já morria com o passar do tempo.
Nesta mesma noite, durante o intervalo dentre das peças de teatro, Brás Cubas acaba se encontrando com Lobo Neves. Após uma breve conversa, fica claro que o marido suspeita do relacionamento dele com sua esposa, tanto que Brás Cubas decide parar de ir visitar Virgília na casa de Neves, mantendo os encontros com sua amante reservados apenas para a casa de D. Plácida. Após algumas considerações suas sobre a sociedade e estudos dos fenômenos sociais, o nosso defunto autor conta que a carreira política de Lobo Neves havia sofrido uma reviravolta, com ele sendo promovido e Virgília finalmente alcançando o título de baronesa que tão desejava. Acontece que, para infelicidade do casal de casados, ocorreu uma revolução na Dalmácia, esta que impediu está nova promoção de Neves.
Lobo Neves e a verdade
Prosseguindo com seu caso amoroso com Virgília, Brás Cubas conta que num dos seus encontros na casa de D. Plácida, ele acabou chegando muito tarde ao lugar, tanto que Virgília cansou de esperar e foi embora. Pelo atraso, foi repreendido pela velha, que disse contou como Virgília sofreu esperando e que homem algum deveria tratar uma mulher desta forma. Este atraso resultou em uma briga que quase levou o casal de amantes a se separarem. Na briga, Virgília mostrou o quão estava irritava, dizendo que, enquanto Brás Cubas era um homem irresponsável e cruel, Lobo Neves era digno e muito superior. Tais palavras já mostravam que a relação dos dois descia ainda mais no precipício, quase acabando após esta briga.
Para piorar a situação que já estava terrível, eis que chega Lobo Neves na porta da casa de D. Plácida. Neste momento Brás Cubas se esconde num dos aposentos mais no fundo da casa, deixando apenas as duas sozinhas para receber pobre chifrudo. Neves chega e diz que não esperava encontrar sua esposa ali, já que apenas passou porque viu D. Plácida e decidiu cumprimentar a velha conhecida. Virgília disfarça dizendo que estava visitante sua amiga e se despede saindo de braços dados com seu marido.
Quando Neves e Virgília saem da casa, Brás Cubas imediatamente vai até os dois para tomar sua amada das mãos do marido. Ele só não consegue porque D. Plácida o segura pelos braços e impede que tal desgraça aconteça. Depois que se acalmou, a própria velha saiu da casa e foi até Virgília para saber se Neves disse e fez alguma coisa, com Virgília respondendo que seu marido não lhe fez nada, mas que já vem apresentando uma mudança de comportamento que evidencia que ele suspeita de algo. Virgília respondeu isso escrevendo um bilhete que Brás Cubas leu e releu inúmeras vezes ao longo de vários e vários dias.

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Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde vimos como o caso amoroso de Brás Cubas e Virgília atinge seu ápice e começa a desmoronar com tempo, com os dois quase encerrando o relacionamento.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.