Neste décimo comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre a morte de Eulália, a fracassada carreira de Brás Cubas na política e o jornal que ele criou.

Machado de Assis
A morte de Eulália e o jornal de Brás Cubas

A morte de Eulália

Eis que o nosso defunto autor dedica um capítulo para falar sobre a vida e a morte. Faz isso para dar uma transição um pouco menos pesadas aos eventos que narraria a seguir, já que Eulália, sua jovem pretende, veio a falecer. A filha de Damasceno, estando com apenas dezenove aos, foi vítima da febre amarela. Brás Cubas a acompanhou até o seu último suspiro, embora admita que a tristeza não fosse suficiente para lhe arrancar uma única lágrima pela pobre garota; concluí que não chorar pela vida dela significava que não a amava tanto assim.

O que se passou foi uma epidemia de febre amarela, ceifando a vida de muitas pessoas. Relata que Quincas Borba tentou acalmar o luto do amigo dizendo que essas mortes infelizmente são possíveis e esperadas; também comenta o sofrimento de Damasceno, que ficou completamente arruinado com a morte de sua amada filha e que se chateou muito por tão poucos amigos comparecerem ao funeral de Eulália. 

O retorno de Virgília

Anos depois desta época triste, Brás Cubas seguia a carreira política, já sendo deputado. Com mais de quarenta anos, seu foco agora era se tornar ministro de estado, mostrando como tinha se entregado à ambição. Por um acaso, comenta isto porque Lobo Neves voltará de sua província para o Rio de Janeiro e, obviamente, trazia sua esposa junto.

Ao rever Virgília após esses anos, Brás Cubas fica surpreso com a beleza de sua antiga amante, com ela ainda parecendo ser aquela mulher jovial do passado. Os dois se reencontram num evento, mas apenas se cumprimentam, sem demonstrarem que estão novamente interessados em estarem novamente unidos. Virgília vai embora, com Brás Cubas olhando-a pelas costas.

Conta que, neste mesmo momento, um oficial da marinha conhecido viu que Brás Cubas olhava Virgília e veio fazer insinuações sobre o caso que os dois tinham, tanto que disse que eles haviam reatado o relacionamento novamente. O nosso defunto autor comenta que ficou muito irritado com o ocorrido e aproveita o tema para fazer algumas considerações sobre como é o amor de um homem e o de uma mulher, e como isso funciona nos casos de traição.

Ainda sobre o ocorrido, comenta que tinha cinquenta anos de idade nesta época. Diz que a visão de Virgília saindo do local era a representação dos melhores anos da que teve na sua vida, embora também afirme que a melhor parte ainda está por vir. Após esse capítulo, onde admite que o amor que viveu em sua vida nunca voltará a acontecer novamente, o nosso defunto autor faz algumas considerações sobre o tema do Oblivion, mas que ele mesmo termina admitindo ser um capítulo inútil.

A fracassada carreira política de Brás Cubas

Dias depois, Brás Cubas conversa com Quincas Borba e desabafa sobre as coisas que sente. O amigo louco do nosso protagonista diz para ele recuperar seus ânimos e erguer a cabeça, insistindo que há na vida uma imensidão de sabores e delicias para nos deleitarmos.

Decidiu ocupar sua cabeça com as questões politicas de sua carreira de deputado. Comenta o esforço de diminuir a barretina (cobertura adornada que os militares utilizam na cabeça) da guarda nacional, argumentando que o tamanho dela era muito deselegante e até anti-higiênico. Tal opinião e ideia, por ser tão desnecessária e idiota, derrubou muito a moral que Brás Cubas tinha como político.

O nosso defunto autor também faz algumas considerações sobre o estado atual de morto dele próprio, onde explica que quando comentou que o tempo foi passando enquanto ele narra suas memórias depois de morto é literalmente isso, pois, mesmo ele estando morto, o tempo vai passando enquanto ele conta a sua vida.

Voltando à narração, Brás Cubas logo perde sua cadeira na câmara de deputados, sendo o fim da sua carreira política. Comenta que esse evento foi muito duro e depressivo para ele, tanto que até chegou a brigar com Quincas Borba, já que seu amigo louco usava qualquer presto para citar sua filosofia do Humanitismo. Agora que já não tinha mais a sua tão querida e prestigiosa cadeira de deputado, Brás Cubas se mostra perdido e sem nenhum rumo. Ao falar com Quincas Borba, confessa uma grande tristeza por ver que seus projetos e sonhos fracassaram. Junto do amigo, faz uma caminhada para espairecer as ideias e acaba vendo uma nova luz no fim deste túnel de frustração: fundar um jornal.

O jornal de Brás Cubas

Como não podia “lutar” pelas ideias e convicções que acreditava como um político, nada mais certo do que enveredar para o trabalho na mídia. O importante era continuar lutando, dizia Quincas Borba.

Ainda nesta caminhada, Quincas Borba faz Brás Cubas ficar assistindo uma briga de cães que acontecia na rua. Os animais, todos mortos de fome, brigavam ferozmente por um osso velho, até um dos vira-latas saiu vencedor e ficou com osso. Quincas Borba, como é de seu costume, faz algumas considerações filosóficas sobre o acontecido, onde compara a luta dos cães pelo osso com a dos homens pelas pieguices da vida.

Ao chegar em casa, Brás Cubas recebe uma carta de Virgília, que pede para ele ir visitar D. Plácida. O encontro não era nenhuma retomada da antiga paixão dos dois, mas, sim, para que o nosso protagonista fosse visitar a velha que estava muito doente. Como tinha deixado uma boa quantidade de dinheiro para D. Plácida, Brás Cubas decide não ir visitar a mulher, argumentando que já fez muito pela velha e que ela agora que cuide de si mesma. Mas, como já era obvio, ele muda de ideia depois de algum tempo e vai visitar D. Plácida. Deixou algum dinheiro para ela e a conduziu até um asilo, onde veio falecer algumas semanas depois. Ao se lembrar dela, Brás Cubas meio que agradece a então morta pela ajuda que deu quando ele se encontrava com Virgília.

 

A ideia do jornal não morreu assim como aconteceu com D. Plácida. Sob a influência de Quincas Borba, Brás Cubas prepara um programa que visava ser uma aplicação política do sistema do Humanitismo. Assim como o louco sistema do louco Borba, essa teoria visava resolver todos os males do mundo, curando a sociedade de seus abusos e disseminando o que era certo e bom.

Quando começou a correr a notícia de que Brás Cubas abriria um jornal sobre política e, por não sido eleito, focaria em ser uma folha oposicionista, logo seu cunhado Cotrim veio visita-lo para tentar convencê-lo a mudar de ideia. Mesmo dizendo que se unir à oposição era um erro e que fecharia as portas do parlamento no futuro, Cotrim não conseguiu convencer Brás Cubas. Acaba que, tendo passado apenas vinte e quatro horas do lançamento do jornal, Cotrim lança uma nota pública dizendo que não tinha nenhuma relação com as ideias de seu cunhado Brás Cubas. Cotrim fazia isso porque temia sofrer alguma represália em seu ministério, mas o que acabou conseguindo foi ofender Brás Cubas.

Quincas Borga fica do lado de seu amigo, descordando da atitude ingrata de Cotrim. Quando Brás Cubas relembra que Cotrim lhe pediu certos favores enquanto era deputado, percebe que o cunhado não passa de um ingrato. Quincas Borga aproveita o tema para fazer algumas considerações sobre a relação de um beneficiador e de um beneficiado, dizendo que, cedo ou tarde, quem recebe um benefício acaba esquecendo de quem o beneficiou.

Voltando ao jornal, conta que o lançamento de sua folha foi um grande sucesso, enchendo o coração de Brás Cubas de um ânimo que preencheu toda a sua alma. Mas tal sensação de realização e conquista logo perderia espaço para a decepção e para o fracasso, pois, tendo se passado apenas seis meses, o jornal estava morto.

O nosso defunto autor faz algumas considerações sobre o fim das coisas, dizendo que as coisas dos homens chegam ao fim, assim como acontece com os movimentos dos planetas (nem o narrador escondeu o quão ruim foi essa observação). Na verdade, fala isso para comentar o triste destino de Lobo Neves, que morreu pouco antes de finalmente ser nomeado ministro. O nosso defunto autor comenta com toda a sinceridade que sentiu muito prazer ao saber que ele morreu.

Livro Memórias Póstumas de Brás Cubas - Edição de Luxo Editora Gardier

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Edição de Luxo

Edição de luxo em capa dura da Ediotra Garnier é a melhor versão desta obra fundamental para a literatura brasileira. 

 

Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde vimos a morte de Eulália, a fracassada carreira de Brás Cubas na política e o jornal que ele criou.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.