Neste nosso segundo comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o segundo canto da epopeia, onde vemos que Zeus manipula os sonhos de Agamemnon para instigá-lo a lutar contra os troianos, sendo que o monarca grego também manipula seu exército para também o instigar a lutar.

A Ilíada de Homero
Os sonhos de Agamemnon

Os sonhos de Agamemnon

Enquanto os deuses e os guerreiros dormiam durante a noite, Zeus ainda estava acordado. O pai de todos não conseguia cair no sono, pois, como acatou o pedido de Tétis, precisava planejar uma forma de prejudicar os gregos e faze-los se arrependerem de ter desrespeitado Aquiles. Após muito pensar, decide começar a manipular os sonhos de Agamemnon. Para isso, Zeus convoca Sono, a divindade dos sonhos, ordenando que vá até o acampamento dos gregos e, entrando nos sonhos de Agamemnon, convença-o a lançar um ataque direto contra Tróia, pois os deuses que são partidários dos troianos não estarão os defendendo.

Sono obedece às ordens de Zeus e parte imediatamente até o acampamento dos gregos, se dirigindo para a tenda onde Agamemnon se encontrava. Nos sonhos do comandante dos gregos, Sonho assume a forma do sábio conselheiro Nestor e diz que foi mandando por Zeus para avisá-lo da grande oportunidade de atacar Tróia, pois Hera conseguiu que os deuses não mais intervenham a favor dos guerreiros troianos.

Agamemnon imediatamente acorda e, acreditando que a mensagem era o auxílio que ele tanto pedia a Zeus, se veste e prepara uma assembleia com os demais chefes gregos. Já era de manhã quando todos estavam presentes diante do rei grego, todos curiosos para saber o motivo de serem convocados para uma reunião logo de manhã. Agamemnon então conta que teve uma visão divina, esta que lhe diz para atacar Troia agora, pois os deuses não mais defenderão os troianos contra as investidas de seu exército. O verdadeiro Nestor toma a palavra e diz que, se tais coisas saíssem de outro grego, ele o tacharia de mentiroso, mas, sendo que é o próprio Agamemnon quem diz isso, é mais do que certo que os chefes gregos convoquem seus guerreiros e partam logo para o combate. Os demais chefes concordam e parte de imediato, reunindo todos diante da tenda de Agamemnon.

O exército dos gregos logo se reúne a frente da tenda, formando uma grande multidão. Diante do seu exército, Agamemnon começa a contar uma mentira, para que os manipulasse e estimulasse a ofensiva contra Tróia. Diz para os guerreiros que Zeus, que antes prometeu que os gregos poderiam voltar para a pátria após destruir Tróia, agora diz que eles devem desistir e fugir em suas embarcações. Comenta o quão sofrido vem sendo este cerco, já tendo se passado nove anos desde o início da guerra; fingindo concorda com a mentira, termina suas palavras dizendo que é melhor que todos desistam. Surpresos ao ouvirem tal decisão, os gregos ficam agitados e começam a correr para suas naus, desejando partir desta fracassada empreitada. Então Agamemnon se volta para os céus convocando o nome de Atena e pergunta se agora os gregos podem finalmente navegar de voltar para casa e deixar a cidade de Tróia intocada. Pede para que ela os detenha, impedindo a sua partida.

Como não queria que os gregos desistissem e que Tróia ficasse impune de suas ofensas, Atena logo parte de seu assento celeste rumo à terra, indo falar diretamente com o grego Odisseu. Como ele era o mais sagaz e astuto dentre os homens, ela pede para que convença a multidão de guerreiros a não partirem das praias troianas. Sabendo que era Atena quem lhe dava tais ordens, Odisseu toma o cetro de Agamemnon e começa a falar com grupos de homens, tentando convencê-los. Quando encontra algum líder ou soldado mais relevante, diz para que não siga as ordens de Agamemnon e que mantenha seus homens calmos e longe dos navios. Mas, quando encontra homens e guerreiros comuns, grita para que não sejam covardes e não desistam da empreitada. Falando com cada um deles e fazendo com que os que já escutaram replicassem a mensagem, Odisseu fez a multidão se acalmar e esperar sentada nas areias da praia. Outros gregos então começam a questionar a decisão de Agamemnon, ficando irritados por verem que, após tanta luta, devam desistir e ir embora.

Atena auxilia Odisseu, fazendo com todos prestem atenção e concordem com seu discurso. Ao se voltar para Agamemnon, ele concorda que este cerco tão longo já exauriu as forças de todos, tanto que os homens gregos desejam volta para logo para suas casas e suas famílias. Mas diz que seria errado voltar para casa sem antes concluir a empreitada e saquear a grandiosa e rica cidade de Tróia. Comenta sobre uma visão dita pelo profeta Calcante – o mesmo que revelou que a fúria de Apolo contra os gregos foi causada quando Agamemnon se recusou a devolver a filha do sacerdote Crises – que conta que os gregos ficarão nove anos lutando contra os troianos até que, chegado o décimo ano, eles pudessem conquistar os muros de Tróia. A multidão do exército grego fica alvoroçada com o discurso de Odisseu, tanto que o aplaudem por suas palavras. Nestor aproveita e reforça a mensagem, dizendo que todos fizeram votos e juramentos de lutar até que Tróia fosse tomada e a bela Helena fosse resgatada.

Agamemnon agradece as palavras e lamenta que Zeus tenha lhe lançado este falso sonho. Ele concorda que ele é culpado pela ausência de Aquiles e diz que, quando o filho de Tétis voltar a lutar ao lado das fileiras gregas, Tróia será conquistada. Então fala para que todos comam bem e se preparem, pois eles lutarão novamente contra os troianos, luta está que será árdua e durará até o anoitecer. O discurso de Agamemnon deixa os homens ainda mais eufóricos, ficando o exército grego sedento pela luta. Além de prepararem as suas armas, eles todos fazem preces e sacrifícios aos deuses, principalmente a Ares, o deus da guerra, e Zeus, deus dos deuses. Feitos os sacrifícios, eles se banqueteiam com a carne dos animais.

Então são todos convocados ao combate e, tendo eles a benção e inspiração de Atenas, partem para lutar contra as forças troianas. Homero canta que eles são tão numerosos que o brilho do Sol em suas armaduras resplandecia como um incêndio consumindo uma floresta, que o prado estremece com sua marcha e que o ar vibra com o som de seus passos e de suas tubas. O rei Agamemnon, sendo comandante do exército e dos vários reis gregos que trouxeram seus guerreiros, ia no meio da tropa.

Homero pede inspiração às Musas

Homero então convoca às Musas para que elas inspirem os seus versos e ele consiga cantar os nomes chefes gregos que marchavam rumo aos portões da cidade de Tróia. Começa a citar o enorme número de tribos e reis gregos que se juntaram ao exército e os seus chefes.

Pede que elas o ajudem a dizer quem, dentre os heróis gregos, é o melhor dos guerreiros e qual é o melhor dos cavalos de guerra. Entre os corcéis, cita as éguas de Eumelo, que foram criadas pelo próprio deus Apolo. Entre os guerreiros gregos, o melhor é, sem dúvida, Aquiles, o guerreiro semideus filho do rei Peleu e da deusa ninfa Tétis. Porém Aquiles, por suas desavenças com o rei Agamemnon, não está lutando nas fileiras gregas; por isso Homero cita o forte Ajax.

A defesa dos troianos

Sob o comando de Zeus, a mensageira dos deuses Íris vai até a cidade de Tróia avisar o rei Príamo e os troianos que os gregos estão manchando para realizar novas investidas contra a cidade. Disfarçada de um dos filhos do rei, ela diz que a guerra contra os gregos mais uma vez se aproxima e que Heitor, filho do rei e maior guerreiro de Tróia, vá preparar as tropas para a defesa.

Comandados por Heitor, os troianos se posicionaram sobre uma colina próxima das muralhas da cidade, estando todos eles preparados para enfrentar a multidão grega. Dentre aqueles que lutavam ao lado do príncipe estava Eneias, semideus filho da bela Afrodite, além de outros bravos mortais.

Homero encerra o segundo canto de sua obra citando os diversos povos e as variadas tribos que lutam defendendo Tróia contra os invasores gregos.

Ilíada de Homero

Ilíada – Homero

Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.

 

Esses foram os nossos comentários sobre o segundo canto da Ilíada, de Homero, onde vimos onde vemos que Zeus manipula os sonhos de Agamemnon para instigá-lo a lutar contra os troianos, sendo que o monarca grego também manipula seu exército para também o instigar a lutar.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.