Neste nosso quinto comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o quinto canto da epopeia, onde Diomedes é abençoado por Atena e começa a massacrar os guerreiros troianos. Em resposta, Ares vai ao campo para enfrentar o herói grego, começando uma batalha entre os dois.

A Ilíada de Homero
As glórias de Diomedes

As glórias de Diomedes

Ao ver que Apolo inspira os guerreiros troianos a lutar, Atena também decide participar da batalha, mas, sendo ela a deusa da estratégia, opta por uma ação mais efetiva. Indo até o herói grego Diomedes, ela lhe infunde força e coragem e o torna o mais poderoso dentre os guerreiros. Com tamanho poder, Diomedes se lança sobre os guerreiros troianos e começa a derrota-los como se fossem crianças. O herói troiano Ideu tenta enfrenta-lo e só não morre porque foi salvo pelo deus Hefesto, que o retirou da batalha com um nevoeiro negro.

Querendo evitar a participação direta de Ares na guerra, Atena convence seu irmão a deixar que troianos e gregos lutassem sozinhos, para que assim somente Zeus pudesse determinar qual exército seria vitorioso. O deus da guerra concorda e se retira do combate, observando a batalha de longe.

Os demais heróis gregos também vão eliminando os guerreiros troianos, com destaque para os abates de Agamemnon, Idomeneu, Menelau e Ipsénor, com todos eles derrubando os troianos e entregando-os ao abraço negro da deusa da Morte. Embora os guerreiros gregos sejam muitos e se destaquem, são as investidas de Diomedes que garantem a vantagem grega na batalha. Sob a benção de Atena, esta que torna a intervir na batalha para beneficiar os gregos, Diomedes derrota todos os troianos que passam por seu caminho. Nem mesmo Pândaro, um dos melhores arqueiros de troia e do mundo, foi capaz de parar Diomedes; ele, com suas setas certeiras, conseguiu atingir o herói grego, mas teve que se contentar apenas com a flecha ficando presa na ombreira da armadura inimiga.

Enéias, semideus troiano filho da divina Afrodite, tenta parar a destruição que Diomedes causa às fileiras troianas. Se junta a Pândaro e os dois vão ao encontro do inimigo grego. Sabendo que os dois queriam o desafiar, Diomedes se apresenta para confrontá-los e, mesmo em desvantagem, consegue matar Pândaro e quase levar Enéias junto, sendo que este foi salvo por sua mãe. Não satisfeito, Diomedes persegue Afrodite para conseguir matar Enéias.

A deusa do amor era indefesa quando comparada com as demais divindades, sendo fácil para ele arranhar sua pele bronzeada com a lança e fazer escorrer o sangue imortal de Afrodite. Ela grita de dor e deixa Enéias cair, mas ele é salvo por Apolo.

O deus Ares, que sempre foi amante de Afrodite, fica furioso ao ver que ela foi ferida e decide enfrentar Diomedes, para que assim ela possa fugir e levar Enéias para um local seguro. Quando foge para o Olimpo, Afrodite é cuidada por Dione, sua mãe, que diz para sua filha não ficar aflita com a dor e o sofrimento, já que essa não é a primeira vez que os homens feriram deuses.

Ainda no Olimpo, Hera e Atena vão até Zeus reclamar das intervenções de Afrodite a favor dos troianos e como ela se feriu ao salvar Enéias. Ao ouvir isto, Zeus chama Afrodite para perto e diz que ela, sendo deusa do amor, não deve se meter nas batalhas, sendo está a função de Atena e de Ares.

Enquanto os deuses discutem, Diomedes continua a tentar matar Enéias, já que este foi deixado para trás quando sua mãe foi ferida. Mesmo com Apolo protegendo o filho de Afrodite, Diomedes não o teme, tanto que quase consegue matar o semideus troiano. Acaba que Enéias é escondido num templo, ficando a salvo da batalha e recebendo cuidados.

A vingança de Ares

Cansado do desrespeito de Diomedes, Apolo pede para que Ares o destrua, este que concorda com o pedido e vai pessoal ao conflito, sendo que está disfarçado de um chefe troiano conhecido como Acamante. Com esta aparência mortal, ele incita os troianos a revidarem a ofensiva grega, dizendo que a derrota deles significará a ruína de Tróia. Também convoca Heitor para o combate.

Ares aproveita que Atenas se distanciou e cobre o campo de batalha com a escuridão do anoitecer, para que assim os troianos tenham tempo de se reorganizarem. Apolo, vendo que Enéias se recuperou dos ferimentos graças aos cuidados das deusas, o traz de volta para a batalha. Em resposta, os irmãos Ajax, Diomedes e Odisseu estimulam os guerreiros gregos no combate, ficando o exército grego aguardando o próximo movimento inimigo durante o anoitecer.

Então os gregos e troianos voltam a se enfrentar, com seus guerreiros matando uns aos outros. Menelau e Antíloco, filho do sábio Nestor, avançam para matar Enéias e vingar os amigos gregos que ele matou. Ambos matam os guerreiros troianos buscando sua presa quando se deparam o bravo príncipe Heitor, este que estava sendo auxiliado diretamente por Ares. Diomedes então avisa Menelau e Antíloco sobre a aproximação de Heitor e que, pele modo como ele avança, provavelmente tem o apoio de algum deus. Comenta que Ares provavelmente se disfarçou de homem e está lutando ao lado do príncipe de Tróia, sendo mais prudente que os gregos façam um recuo estratégico.

Apesar de se afastarem, os gregos ainda caiam sob os pés dos troianos, começando assim a ruína deles na guerra. Hera, vendo o que acontecia, pede para que Atena a acompanhe até o Olimpo para falar com Zeus sobre como os outros deuses interferem na guerra para favorecer os troianos. Diante do deus dos deuses, elas reclamam como ele permite que Ares massacre os guerreiros gregos sem nenhuma punição. Não querendo começar mais uma das várias brigas que tem com sua esposa, Zeus fala que a própria Atena pode ir até o campo de batalha e, como já é de costume, castigar Ares por sua inconsequência.

Feliz com o que escuta, Hera e Atena voam de volta para os campos que circundam as muralhas de Tróia, buscando interromper o avanço de Ares e dos troianos. Hera cobre as planícies com neblina e se aproxima dos guerreiros gregos, estes que estavam recuados atrás do abençoado Diomedes. Disfarçando-se do herói grego Esténor, ela insulta os gregos ao chamá-los de covardes, pois nunca se mostraram medrosos quando lutavam ao lado do bravo Aquiles. Com essas palavras ela estimula os guerreiros gregos, que ficam com o ânimo novamente aquecido.

Atena, por outro lado, decide falar apenas com Diomedes. Ela conta quando conversou e aconselhou Tideu, pai de Diomedes, em batalhas no passado, sendo que agora é vez de ela aconselhar o próprio Diomedes. Começa o repreendendo por estar tão assustado com a ofensiva de Heitor e de Ares, sendo que o herói grego responde que apenas recua pois foi a própria Atena, em momentos anteriores, quem lhe ordenou que não lutasse diretamente com nenhum dos deuses. Ouvindo as queixas de Diomedes, diz para que ele volte ao combate e não tema o poder de Ares, pois ela – Atena – está lutando ao seu lado.

Então os dois se dirigem até o local do combato onde Ares lutava junto aos troianos, sendo que Atena está invisível para todos por estar utilizando o Elmo de Hades. O deus da guerra, que espoliava o cadáver de um guerreiro morto, percebe que o herói grego se aproxima e parte para ataca-lo, dando início a luta dos dois.

Ares começa arremessando sua lança, mas Atena desvia o dardo com suas mãos. Diomedes então responde atirando sua lança, esta que, sendo guiada por Atena, atinge em cheio a virilha do Deus Guerreiro. Por causa da dor, ele soa um terrível grito que assusta todos os homens que lutam nos exércitos grego e troiano e então foge do campo de batalha, indo diretamente para o Monte Olimpo. Revoltado com o tremendo golpe que sofreu, Ares vai se queixar para seu pai sobre o ocorrido. Diz para Zeus que é um absurdo que mortais consigam atormentar os deuses, colocando a culpa disto no próprio Zeus, já que permitiu que Atenas inspirasse Diomedes.

Furioso com as palavras do filho, Zeus manda que Ares se cale. Diz que, dentre todos os deuses e filhos, ele é o que mais odeia, pois sempre tem prazer em causar conflitos e disputas. Zeus coloca a culpa disto em Hera, já que o terrível temperamento de seu filho só pode ter sido herdado de sua mãe. Cura as feridas do filho e diz que, se não fosse de seu próprio sangue, já o teria trancado nas profundezas do Tártaro, bem mais abaixo da prisão que estão trancados os titãs filhos de Urano.   

Hera e Atena também retornam para o Olimpo, já que o furioso e terrível Ares deixou de massacrar o exército grego ao deixar o campo de batalha.

Ilíada de Homero

Ilíada – Homero

Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.

 

Esses foram os nossos comentários sobre o quinto canto da Ilíada, de Homero, onde vimos como Diomedes é abençoado por Atena e começa a massacrar os guerreiros troianos. Em resposta, Ares vai ao campo para enfrentar o herói grego, começando uma batalha entre os dois.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.