Neste nosso décimo primeiro comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o décimo primeiro canto da epopeia, onde os exércitos dos gregos e troianos voltam a se enfrentar, com Heitor ferindo e matando muitos guerreiros e heróis inimigos.

Os gregos e troianos tornam a lutar
Então finalmente chega o amanhecer, com o Sol trazendo os seus raios luminosos e espantando a escuridão da noite. Zeus logo manda a deusa Discórdia ir até os acampamentos dos gregos para incitá-los ao combate. Obedecendo as ordens do deus dos deuses, ela passa sobre as tendas dos gregos soltando um grito horrendo, fazendo os acordar com um imenso desejo de lutar.
Agamemnon é o primeiro a ser tomado por este desejo, tanto que sai correndo pelo acampamento ordenando que seus guerreiros peguem em armas e se preparem para enfrentar os troianos. Logo, sob as ordens de seus chefes, os gregos saem do acampamento e se colocam a frente do fosso que tinham escavado, estando eles todos prontos para lutar. Zeus, vendo que a próxima batalha está prestes a começar, faz chover um orvalho vermelho sobre as planícies que circundam as muralhas de Tróia.
No fronte dos troianos, Heitor e Enéias se colocam a frente dos guerreiros, sendo que os demais heróis e chefes troianos também se juntam a eles. O exército troiano, ainda confiante por causa das vitórias anteriores, também se coloca em posição e, assim, começa mais um embate deles contra os gregos. Ambos os exércitos se chocam, com as armas e escudos se batendo e os corpos dos mortos caindo e se empilhando pelo chão. Diferente das batalhas anteriores, nenhum dos lados recua conforme vai perdendo seus números, sendo isto obra da deusa da Discórdia que inspirava os guerreiros a continuar lutando sem medo da morte.
Dos deuses do Olimpo, Discórdia era a única que Zeus permitiu intervir nesta batalha, fazendo com que todas as demais deidades suspirassem de ódio contra o pai dos deuses. Destes, os mais irados são os partidários dos troianos, já que nada podem fazer ao ver que gregos se sobressaem e empurram seus inimigos de volta para Tróia.
Assim, após horas de batalha, os gregos começavam a derrotar os troianos, recuperando a dignidade que haviam perdido. Agamemnon, que liderava a ofensiva de seu exército, destacava-se ao matar os chefes troianos e os empurrar para longe das naus gregas e de seus acampamentos. Nenhuma clemencia o rei grego mostra com aqueles que se rendem, ordenando que todos os troianos que sobreviveram e não conseguiram fugir sejam executados.
Apesar de permitir que os gregos voltem a vencer os troianos, Zeus não deixa que Heitor fosse morto, fazendo com que qualquer ataque de espada ou lança arremessada contra ele não o machuque. Quando os guerreiros troianos sobreviventes finalmente conseguem chegar às grandes muralhas da cidade, Zeus manda que a mensageira Íris vá até Heitor e o informe que deve ele evitar enfrentar Agamemnon e focar em estimular os guerreiros troianos; além disso, diz que quando Agamemnon o acertar com uma lança ou seta, Heitor será protegido e então abençoado diretamente por Zeus, podendo assim avançar e repelir o exército grego de volta para suas naus.
Íris vai até Heitor e lhe passa os conselhos de Zeus, conselhos estes que Heitor obviamente obedece e logo começa a estimular os guerreiros troianos a continuar lutando. Então, perto das muralhas, ambos exércitos novamente colidem e se digladiam, sendo que nenhum deles imediatamente ganha.
Homero pede inspiração às Musas
Neste momento do épico, Homero interrompe seu canto e pede inspiração às Musas, pedindo para que elas o auxiliem a continuar sua narração e também pergunta quem, neste momento da batalha, se antepôs ao avanço mortal do rei Agamemnon.
Então Homero começa a mencionar a história do troiano Antenor, dizendo de quem ele é descendente e como ele veio participar da Guerra de Troia para lutar contra os gregos.
As glórias de Agamemnon
Voltando a narrar o conflito dos gregos e troianos, Homero canta que Antenor se coloca diante de Agamemnon, com os dois se enfrentando; batem seus escudos e se empurram com suas espadas, até que Antenor erra um golpe e fica vulnerável ao ataque de Agamemnon, que o mata ao atravessar seu pescoço com uma lança. Coão, irmão de Antenor, se enfurece e ataca Agamemnon, começando um combate onde os gregos queriam saquear o cadáver de Antenor e os troianos queriam recuperar seu corpo e lhe dar os devidos ritos funerais. Apesar de ser ferido por Coão, Agamemnon também consegue mata-lo, tendo conseguido mantar os dois irmãos para reino de Hades.
Agamemnon continua lutando e matando muito troianos, até que a dor da ferida causada por Coão se torna insuportável e ele se retira da batalha para voltar para o seu acampamento. Quando recua, pede para que os chefes gregos continuem a lutar e mantenham os troianos afastados do fosso que protege os acampamentos e as naus gregas.
A revanche de Heitor
Neste momento, quando percebe que Agamemnon se retira do combate, Heitor percebe que chegou a hora de concretizar os conselhos de Zeus e empurrar o exército grego de volta para as naus. Heitor grita e incita os troianos a continuar lutando, tanto que ele mesmo retoma a frente do seu exército e começa a liderar mais um massacre contra os gregos.
Ao verem que Heitor mais uma vez derrota os guerreiros gregos e os faz fugir desesperadamente de volta para os acampamentos e as naus, Diomedes e Odisseu tomam a frente e se mantém firmes contra a investida troiana, conseguindo fazer os inimigos recuarem de medo. Porém, quando Heitor percebe que apenas esses dois heróis conseguem derrotar tantos guerreiros troianos, logo se lança em direção aos dois para enfrenta-los. Apesar do medo de o enfrentar, Diomedes se coloca a frente e arremessa sua lança contra a cabeça Heitor, este que só não morre pois estava utilizando um elmo dado pelo próprio deus Apolo.
O príncipe Páris, vendo que seu irmão sobreviveu, mas está caído no chão, saca seu arco w tenta salvar a vida de Heitor, conseguindo trespassar o calcanhar de Diomedes e impedir o seu golpe final. Páris comemora após acertar Diomedes com o disparo, dizendo que o exército troiano poderá descansar ao ver que sua flecha parou a ofensiva deste guerreiro. Em resposta, Diomedes insulta Páris por sua covardia, já que é homem que rouba a esposa dos outros e é um guerreiro que se esconde do combate ao lutar com um arco, sendo que já estaria morto se lutasse nas fileiras.
Odisseu protege Diomedes, já que este recua de volta para aos acampamentos gregos para poder se recuperar de seu ferimento. Sozinho no campo de batalha, Odisseu teme por sua vida, mas decide ficar e lutar. Um grupo de guerreiros troianos, acreditando que esta é a melhor oportunidade para derrota-lo, cercam Odisseu por todos os lados, mas acabam sendo massacrados pela sua força.
Durante esta luta, apesar da sua superioridade, Odisseu acabou saindo ferido, só não morrendo por mais uma intervenção de Atena. Ao verem os seus ferimentos, os demais guerreiros troianos tentam matar Odisseu, que grita pedindo ajuda de outros guerreiros gregos que ainda não recuaram para o acampamento. Ajax e Menelau logo chegam para protegê-lo, sendo este mais um dos heróis gregos que volta ferido e incapacitado para os acampamentos.
Ajax então fica para enfrentar os guerreiros troianos, mostrando para todos porque ele é um dos mais distintos guerreiros gregos. Com seu grande tamanho e força, mata inúmeros inimigos.
No outro lado do campo de batalha, Heitor liderava as fileiras de os troianos que empurravam os gregos de volta para os acampamentos. Ali, muitos perecem sob a lança do príncipe troiano, enquanto os que não morrem precisam ser socorridos e escoltados em segurança de volta para os acampamentos. Ao saber como forte Ajax derruba os troianos e seus cavalos, Heitor até deseja enfrenta-lo, mas evita o confronto direto pois sabia que Zeus ficava irritado quando ele lutava com um adversário mais forte.
Ao ver as constantes proezas de Ajax no campo de batalha, Zeus decide lhe incutir um terrível medo, fazendo com que o herói grego não desejasse enfrentar Heitor. Assim, estando com tanto medo, Ajax começa a recuar junto com os demais guerreiros gregos de volta para o acampamento, embora pare e enfrente os troianos que tentam atacá-los.
O desejo de Pátroclo
Aquiles, mesmo estando afastado da batalha, constantemente observava os confrontos de cima de sua nau. Sem saber que era Ajax, onde apenas via que um grande guerreiro grego era perseguido e alvejado enquanto tentava fugir, Aquiles percebe que talvez ter chegado a hora dele voltar para o combate. Ordena que seu escudeiro Pátroclo vá até a tenda de Nestor para saber qual guerreiro grego sofria tanto.
Quando chega às tendas de Nestor, Pátroclo primeiramente é questionado sobre o motivo de somente agora Aquiles se importar com as perdas gregas, já que vários outros guerreiros e heróis sofreram e pereceram pelas lanças troianas. Nestor, sendo velho e muito sábio, comenta situações semelhantes que ocorrem em sua longa vida, sendo que estas, por mais difíceis que parecessem, conseguiram ser superadas. Nestor também comenta que quando ele e Odisseu foram recrutar homens para participar da Guerra de Tróia, Aquiles foi avisado por seu próprio pai, o rei Peleu, que ele deveria ser sempre o primeiro e mais distinto dentre todos os gregos, mas parece que o herói semideus se esqueceu dos conselhos de seu velho pai.
Pede então para que Pátroclo tente o convencer, já que o jovem é o amigo mais próximo e estimado de Aquiles. Caso não consiga, que Pátrocolo ao menos reúna o poderoso exército dos Mirmidões e, vestindo a armadura de Aquiles, se junte às fileiras gregas e espante os troianos de perto do acampamento, dando assim algum alívio para pobres guerreiros que morrem sob a lança de Heitor.
Tocado pelas sempre sábias e persuasivas palavras de Nestor, Pátroclo retorna para a tenda de Aquiles para tentar convencê-lo. No meio do caminho encontra um guerreiro que recuou da batalha após ser ferido pelo príncipe Heitor; tendo dúvida se este troiano é realmente tão formidável, questiona o grego ferido sobre como foi enfrenta-lo, este que responde que já não há esperança para os gregos.
Pátroclo ajuda o guerreiro ferido, o levando para uma tenda para ser socorrido. Enquanto o ajuda, o jovem escudeiro percebe que precisa fazer algo para ajudar o exército grego.

Ilíada – Homero
Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.
Esses foram os nossos comentários sobre o décimo primeiro canto da Ilíada, de Homero, onde vimos que os exércitos dos gregos e troianos voltam a se enfrentar, com Heitor ferindo e matando muitos guerreiros e heróis inimigos.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.
Olá, estou no capítulo 12 e gostaria de ter conhecido o blog anteskkk
A cada capítulo o texto tem ficado mais carregado e denso, e acredito que seus “resumos” vão me ajudar a completar essa jornada que venho arrastando já há alguns meses.
Obrigado pelo seu trabalho, não é algo fácil e parece ser feito com paixão.