Neste nosso décimo sexto comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o décimo sexto canto da epopeia, onde vemos que Pátroclo parte para socorrer os guerreiros gregos e segue lutando até ser morto por Heitor.

O plano de Pátroclo
Enquanto os poucos gregos resistiam e os troianos avançavam queimando as naus inimigas, Pátroclo chega desesperado até o acampamento de Aquiles e do exército do Mirmidões. Ao ver como seu jovem escudeiro estava descontrolado, Aquiles o questiona, vindo a entender que ele está neste estado após ver como se desenrolava a batalha entre os gregos e troianos e por saber que essa situação só mudaria quando Aquiles voltasse ao combate.
Como sabe que Aquiles ainda está muito furioso e, não importando o quanto implore, não voltará ao campo de batalha, Pátroclo pede para ir lutar em seu lugar, liderando o exército dos Mirmidões. Diz que fará isso utilizando a armadura de Aquiles, para que assim assuste os troianos com sua presença e os afugente do acampamento dos gregos.
Aquiles responde dizendo que não se absteve da batalha por influência dos deuses, mas, sim, por te sido humilhado quando Agamemnon decidiu tomar sua escrava. Conta que planejou ficar longe do combate até o momento que os troianos sobrepujassem as forças e gregas e dominassem os seus acampamentos; tendo isso acontecido, Aquiles concorda com pedido de Pátroclo, o autorizando a envergar sua armadura e afugentar os inimigos troianos.
Antes de Pátroclo sair, Aquiles o adverte para que, durante o combate, não se afaste muito dos acampamentos gregos e que não vá, em nenhuma hipótese, lutar próximos dos muros de Tróia.
Homero então interrompe sua narração para, mais uma vez, medir para que as Musas abençoem seus versos, o auxiliando a cantar o conflito direto que, neste mesmo instante, acontecia entre Ajax e Heitor, bem como a ofensiva troiana que ateava fogo na frota grega.
Começa contando que Heitor se aproveita dos ferimentos e da grande desvantagem que Ajax tinha neste momento. Estando sob a benção de Zeus, lhe acerta um forte golpe com a espada que, de tão pesado, quebra a lança de Ajax. Enquanto isso, os troianos ateavam fogo nas naus de madeiras dos gregos, dando inicio a um grande incêndio.
Neste mesmo momento o jovem Pátroclo já marchava usando a imponente armadura de Aquiles, bem como o escudo e a espada que o semideus filho de Tétis usava para massacrar os guerreiros troianos antes de se retirar do combate. Aquiles, que neste momento não desejava ver as naus gregas serem todas incendiadas, percorre os acampamentos do seu próprio exército, ordenando que os bravos Mirmidões se unissem a Pátroclo e fossem repelir os guerreiros troianos e o príncipe Heitor.
As preces de Aquiles
Animados por finalmente poderem voltar a lutar e estando inspirados pelas palavras de Aquiles, os Mirmidões partem junto de Pátroclo para a batalha. Querendo que eles sejam bem-sucedidos nesta investida, Aquiles volta para sua tenda e, num baú com seus pertences mais valiosos, pega uma copa sagrada que lhe foi entregue por sua própria mãe e que garantiria a atenção de Zeus; com esta taça metálica em mãos, ele pede para que seu amigo Pátroclo não seja morto enquanto lidera o exército dos Mirmidões.
Apesar da copa dada por Tétis ser realmente sagrada e fazer com que Zeus escute tais preces, o deus dos deuses não concede tal pedido e se manter firme na decisão de vir a matar o jovem Pátroclo. Aquiles, que acredita que suas preces serão atendidas, retorna até sua tenda e fica aguardando o porvir.
A ofensiva de Pátroclo
Liderando os bravos Mirmidões, Patróclo incita os poderosos guerreiros de Aquiles dizendo para que lutem com toda a vontade e salvem os gregos e suas naus da ofensiva destruidora de Heitor.
Os troianos são tomados pelo desespero quando veem os Mirmidões voltando ao combate; como não sabiam que era Pátroclo que utilizava a armadura de Aquiles, acreditavam que o filho de Tétis tinha voltado ao combate, o que os deixa ainda mais desesperados. Sem ter tempo de fugirem, os guerreiros troianos são pegos na ofensiva do jovem Pátroclo e morrem aos montes.
Ao verem a ajuda chegando e acreditando que é o próprio Aquiles que volta para salvá-los, os guerreiros e heróis gregos recuperam o ânimo e não desistem de lutar. Como se estivessem sob a benção direta de Zeus, eles rapidamente apagam o incêndio que se alastrava pelas suas naus e então se lançam contra os troianos que não tinham sido mortos por Pátroclo e fugiam de medo de volta para a cidade de Tróia.
Não demora para que os guerreiros troianos abandonem as praias onde estavam os barcos gregos, já tendo eles passado de volta pelos muros de madeira e pelo fosso que cercava o acampamento inimigo.
Dentre os vários guerreiros e heróis troianos que Pátroclo vence, destaca-se como facilmente derrotou Sarpédone, filho semideus de Zeus. Após sua morte, começa um combate entre gregos e troianos pelo corpo do herói, com Glauco e outros guerreiros tentando recuperar o corpo do amigo que fora morto por Pátroclo.
Embora já saibam que é Pátroclo quem enverga a armadura de Aquiles, os troianos ainda perecem sob sua lança e veem frustrada a chance que tiveram de incendiar a frota grega. Eles somente recuperam a coragem quando Heitor surge nas fileiras troianas e começa a liderar a defesa contra o escudeiro de Aquiles, iniciando a batalha pelo corpo de Sarpédone. Com isso, ambos os lados agora se equilibram, com os dois exércitos matando e morrendo.
A morte de Pátroclo
Zeus olhava a batalha com a máxima atenção enquanto pensava sobre o destino do jovem Pátroclo. Como já estava certo que o escudeiro de Aquiles morreria, Zeus apenas elaborava como a deusa Morte daria cabo do garoto. Após pensar um pouco, decide que Pátroclo morreria sob a lança de Heitor quando ambos estivessem lutando próximos das muralhas de Tróia, sendo este o estopim para que Aquiles voltasse para a guerra, matasse Heitor e, logo depois, os gregos finalmente conseguissem conquistar a cidade.
Acaba que o corpo de Sarpédone é resgato pelos próprios deuses e retirado da batalha, já que ele era um semideus filho de Zeus. Com isso, Pátroclo continua avançando contra os troianos e se aproxima das muralhas de Tróia, fazendo com que exército inimigo recue para dentro da cidade. O jovem, que tentou algumas vezes escalar estas muralhas para invadir cidade, só recua quando o próprio deus Apolo o intimida e o repele.
Heitor, que neste momento comandava o resto dos guerreiros troianos que ainda não recuaram para cidade, cogita se deve continuar lutando ou recuar como os demais fizeram. Apolo então surge disfarçado para o príncipe e o manipula, dizendo que ele não deveria fugir e, sim, recuperar a coragem e lutar contra Pátroclo. Heitor fica inspirado com estas palavras e parte para enfrentar o escudeiro de Aquiles, dando inicio ao combate mortal dos dois.
Pátroclo, logo quando vê o príncipe troiano, arremessa uma pedra que não acerta Heitor, embora derrube o cocheiro que guiava o carro de batalha. Vendo como os dois caem e rolam no chão, Pátroclo zomba de Heitor e mata o cocheiro com a lança, fazendo o duelo dos dois acontecer sobre este cadáver.
Querendo intervir para favorecer os troianos e prejudicar o exército grego, Apolo ataca Pátroclo pelas costas e o derruba no chão, onde também lhe retira o elmo. Um dos guerreiros troianos aproveita e lhe arremessa um dardo que, sendo certeiro, acerta as costas do jovem herói. Heitor aproveita que ele está vulnerável e atravessa o seu abdômen com sua lança, atravessando o seu corpo até que a ponta de bronze da arma sai pelas suas costas.
Sendo atingido e depois trespassado pela lança de Heitor, Pátroclo se prosta ao chão gritando e morrendo. Heitor, vendo que conseguiu vencê-lo, diz que ele e os demais gregos foram tolos por acreditar que poderiam vencer os guerreiros troianos e saquear a grandiosa cidade do rei Príamo.
Já moribundo e tendo como certa a sua morte, Pátroclo retruca Heitor dizendo que só foi derrotado porque Zeus e Apolo o apoiaram. Em suas últimas palavras, avisa que Heitor não deve celebrar suas vitórias por muito tempo, já que a hora de sua morte está muito próxima.
Com Pátroclo morto, Heitor pisa em seu cadáver e celebra sua vitória ao arrancar a lança que tinha usado para trespassar o abdômen do jovem escudeiro de Aquiles.

Ilíada – Homero
Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.
Esses foram os nossos comentários sobre o décimo quinto canto da Ilíada, de Homero, onde vimos que Pátroclo parte para socorrer os guerreiros gregos e segue lutando até ser morto por Heitor.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.