Neste nosso décimo oitavo comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o décimo oitavo canto da epopeia, onde vemos que Aquiles se desespera ao saber que Pátroclo foi morto por Heitor, sendo este o momento que o ele decide voltar a lutar ao lado dos gregos.

A Ilíada de Homero
O desespero de Aquiles

O desespero de Aquiles

Enquanto Menelau e Ajax enfrentavam Heitor e tentavam trazer o cadáver de Pátroclo de volta para os acampamentos gregos, Antíloco, filho do sábio Nestor, já retornava para os acampamentos gregos. Como Menelau e Ajax, mesmo com um pequeno exército grego, não estavam dando conta de enfrentarem os troianos, Antíloco foi mandado de volta para o acampamento para avisar Aquiles sobre a morte de Pátroclo e da batalha que acontecia para reaver o seu corpo.

Aquiles, que estava em seu acampamento e ainda não sabia da morte de Pátroclo, logo sente um terrível pressentimento ao ver como os gregos retornavam desesperados para os acampamentos. Quando permitiu que Pátroclo envergasse sua armadura, instruiu o jovem para não lutar sob as muralhas de Tróia, pois ali seria o seu fim; vendo como os gregos recuavam em pânico, Aquiles começa a pensar que o seu jovem escudeiro provavelmente desrespeitou suas ordens e que já deve estar morto.

Nisto entra Antíloco na tenta de Aquiles e avisa o herói que Patróclo está morto. Conta que seu jovem escudeiro, após liderar a ofensiva que empurrou os troianos de volta para as muralhas, foi morto em duelo por Heitor, este que tomou sua armadura e agora comanda os troianos numa batalha pelo cadáver de Pátroclo.

Tal notícia foi mais dura do que qualquer golpe de lança ou espada, levando Aquiles ao sofrimento e ao desespero. Seus gritos de tristeza foram tão altos que Tétis, sua divina mãe, consegue ouvir seus prantos do fundo do mar. Como toda boa e carinhosa mãe, ela toma o sofrimento de seu filho para si e vai com pressa para encontra-lo.

Chegando até o acampamento dos gregos e estando diante do seu filho, Tétis pergunta qual a causa de seu sofrimento e desespero, vindo a descobrir que Aquiles sofre por causa da morte de Pátroclo, seu amigo mais estimado. Conta que ele foi morto por Heitor, este que agora usa a armadura que Aquiles emprestou para Pátroclo e que lhe fora dada por seu pai, o rei Peleu; Aquiles lamenta essa situação, pois sabe que matará Heitor e que não muito tempo depois será morto sob as muralhas de Tróia. Diz que agora esquecerá sua mágoa com Agamemnon e, finalmente, retornará para as fileiras gregas para lutar contra o exército troiano e matar Heitor, sendo que esta será a sua última glória antes de morrer.

Já que a armadura que emprestou para Patrócolo foi saqueada e está nas mãos de Heitor, Tétis pede para que Aquiles aguarde até que ela providencie uma nova, esta que será feita pelas próprias mãos de Hefesto, o deus dos ferreiros e do fogo. No mesmo instante ela parte para o Olimpo indo falar com o deus coxo.

A batalha pelo cadáver de Pátroclo

Enquanto isso acontecia, os guerreiros gregos sofriam sob a cruel lança de Heitor e dos demais guerreiros troianos. Com gritos e duros golpes, ambos os exércitos lutam pelo cadáver do jovem Pátroclo. Quando Menelau e Ajax já não conseguiam mais manter o corpo morto, Atena e Hera mandam Ísis, a deusa mensageira, ir até Aquiles e dizer para que ele, mesmo sem sua armadura, voltasse ao combate e resgatasse o corpo de seu caro escudeiro.  

Assim, mesmo sem seu equipamento de batalha, Aquiles parte até o exército grego. Atena, para auxiliá-lo, lhe coloca um poderoso elmo, este que seria o suficiente para assustar os troianos. Quando chega até o fosso escavado pelos gregos, Aquiles apenas precisa soltar um grande berro para aterrorizar os troianos com a força divina deste elmo. Com isso, após um extenso e difícil combate, os gregos saem vitoriosos da batalha pelo cadáver de Pátroclo. Aquiles, ao ver o corpo de seu dileto amigo e escudeiro, cai novamente aos prantos.

Neste momento o Sol desce para descansar no oceano, com a noite chegando e escurecendo todo o mundo. Com o fim do dia, os guerreiros gregos e troianos interrompem seus embates, aproveitando o anoitecer para descansar.

O medo dos troianos

Os troianos, sem nem darem tempo para recuperar suas forças, vão e se reúnem numa assembleia para discutir o porvir da guerra contra os gregos. Todos eles, sem exceção, se encontram tomados pelo medo, já que invencível Aquiles finalmente retornou aos combates. Alguns propõe que eles todos recuem e fiquem sob as muralhas de Tróia, já que ali é o local mais seguro para eles lutarem, enquanto o príncipe Heitor diz que seria uma vergonha para todos os guerreiros troianos recuar neste momento e ordena que todos descansem durante esta noite, pois, quando a aurora trazer o Sol, os troianos atacarão os gregos em suas naus e os expulsarão das terras de Tróia.

Todos ficam extremamente animados com as palavras de Heitor, sendo ele aplaudido de pé pelos guerreiros e pelos chefes troianos. Durante toda a noite, eles celebram e ceiam grandiosos banquetes.

O funeral de Pátroclo

Os gregos, por outro lado, passam a noite em prantos ao redor do corpo do jovem Pátroclo. Diante do corpo do seu mais dileto amigo e tão leal escudeiro, Aquiles relembra quando o tomou como escudeiro e como prometeu a Opuente, pai de Pátroclo, que seu filho seria um dos conquistadores de Tróia. Olhando para o cadáver, promete que voltará a combater ao lado dos gregos e que o vingará matando Heitor; diz isso já sabendo que esta será o seu último grande ato antes de também morrer.

Tendo dito isso, Aquiles ordena que preparem o cadáver de Pátroclo para o seu funeral, lavando o corpo com água fervente, óleo e, após isso, o enrolando com linho. Em lamentos, assim passaram a noite os bravos Mirmidões ao lado de Aquiles.

Vendo tudo o que acontecia desde o seu poderoso trono no monte Olimpo, Zeus se volta para Hera e comenta a situação. Diz que ela, que sempre defendeu a causa dos gregos e a destruição de Tróia, agora finalmente teria o que tanto queria, já que Aquiles voltará aos combates e, assim, por um fim a defesa dos troianos.

A forja de Hefesto

Em outra parte do Olimpo, a ninfa Tétis chega ao palácio de Hefesto. Ele, que se encontrava cansado enquanto fazia mais um de seus divinos trabalhos, fica surpreso ao ver a nereida que ele tanto prezava. Ao recebê-la em seu palácio, Hefesto lembra quando foi atirado para fora do Olimpo por sua mãe por ter nascido coxo, mas que foi resgatado e cuidado por Tétis, sendo esse o motivo do deus do fogo lhe prezar tão bem.

Ao ser questiona o motivo de sua visita, Tétis conta os grandes infortúnios de sua vida, dizendo quando foi obrigada se casar o mortal Peleu e vindo a ter seu filho Aquiles, ele que desde jovem já foi profetizado que não teria uma longa vida. Diz que sua tristeza aumenta ainda mais agora que tal destino se aproxima, já que Aquiles voltou a lutar pelos gregos contra o exército troiano de Heitor. Fala que, como nada pode evitar o triste destino de seu filho, acha melhor que ele o abrace com honra e coragem, vindo a morrer lutando contra os troianos. Acontece que sua armadura e escudo foram espoliados por Heitor e agora Aquiles precisa de novos equipamentos, sendo este o motivo da visita de Tétis.

Hefesto consente sem nenhuma relutância ao pedido de sua cara amiga e logo volta para as suas fornalhas, começando a trabalhar numa bela armadura e num poderoso escudo para Aquiles.

Começando com o escudo, o faz de um bronze muito rígido e adornado com uma capa de prata. Esculpe nele um desenho que representava o mundo, o céu, o mar, as planícies e duas cidades gregas – que são as mais representadas no desenho entalhado. A primeira cidade era um ambiente agradável, mas que mostrava dois homens num mercado discutindo por causa de uma suposta dívida. Já a segunda cidade é representada sendo sitiada, com um exército tentando invadi-la enquanto o povo tenta se defender. Do exército, os comandantes tentavam decidir o que fazer após conquista-la, não sabendo se a devastariam por completo, ou se saqueariam todos os seus tesouros. Os cidadãos da cidade, como não se rendiam aos invasores, preparam a defesa vestindo as suas armaduras.

Após ter completado de entalhar o escudo, Hefesto começa a forjar a nova armadura de Aquiles, bem as armas que ele utilizara ao enfrentar Heitor. Com tudo pronto, o deus do fogo e dos ferreiros entrega os equipamentos à Tétis, onde ela agradece a ajuda do seu benevolente amigo e deixa os seus suntuosos palácios celestiais de volta à terra para o encontro do seu filho.

Ilíada de Homero

Ilíada – Homero

Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.

 

Esses foram os nossos comentários sobre o décimo oitavo canto da Ilíada, de Homero, onde vimos que Aquiles se desespera ao saber que Pátroclo foi morto por Heitor, sendo este o momento que o ele decide voltar a lutar ao lado dos gregos.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.