Neste nosso quarto comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o quarto canto da epopeia, onde Zeus reúne todos os deuses numa assembleia no Olimpo e fica decidido que, num primeiro momento, os troianos sofrerão ao enfrentar os gregos.

A assembleia dos deuses no Olimpo
No Monte Olimpo, Zeus reúne os deuses numa assembleia para discutir o futuro da Guerra de Tróia. Estando eles bebendo e celebrando, olham para baixo e veem a cidade de cima, bem como veem as fileiras de guerreiros gregos e troianos.
Querendo provocar Hera, Zeus diz que, embora ela e Atena sejam partidárias da causa de Menelau, não interferiram no duelo entre ele e Páris. Acontece que quando Páris estava prestes a ser derrotado pelas forças de Menelau, Afrodite interveio e não deixou que o duelo se concretizasse. Como é obvio que o rei grego venceu o príncipe troiano, Zeus diz que os deuses agora devem discutir como resolver a situação, escolhendo entre a continuação da guerra, ou com seu fim imediato, onde Menelau poderá ficar com Helena e Tróia continuará existindo. Os deuses partidários dos gregos ficam revoltados com as propostas de Zeus, pois mais do que a vitória grega, desejam a destruição completa da cidade troiana e de seu povo. Hera, que é a principal deles, diz que não aceitará tal proposta, já que foi ela a grande responsável por reunir o grande exército grego para atacar a cidade de Tróia.
Ouvindo isto, Zeus questiona os motivos de sua esposa desejar tanto a ruína de Tróia, querendo saber quais motivos que o rei Príamo e seus filhos lhe deram para nutrir tanto ódio contra seu povo. Embora Zeus diga que aceita o que a esposa diz, comenta que, caso ele deseje destruir alguma cidade que Hera tenha apreço, que ela não venha lhe perturbar. Diz que dentre todas as cidades do mundo, Tróia é a que mais prestou louvores e sacrifícios a Zeus. Hera responde que tem um profundo carinho pelas cidades gregas de Argos, Esparta e Micenas, mas, caso Zeus deseja-se destruí-las, ela nada poderia fazer, já que a força do deus dos deuses é inigualável. Porém, sendo ela uma deusa imortal e sua esposa, acredita que Zeus também deva fazer algumas concessões, deixando que Atena desça à terra e auxilie os guerreiros gregos, já que esses foram desrespeitados quando o pacto do duelo entre Páris e Menelau foi quebrado.
Zeus consente no pedido de Hera e ordena que Atena desça à terra e, conforme é desejo de Hera, que o os troianos sofram por terem quebrado o acordo do duelo entre Páris e Menelau. Feliz em receber tais ordens, já que compõe o grupo dos deuses que desejam a ruína de Tróia, Atena desce excitada ao campo de batalha.
A batalha dos gregos e troianos
Diante dos guerreiros gregos e troianos, a deusa da sabedoria manipula um herói troiano Pândaro, o convencendo a atacar Menelau com uma seta. Convencido pelas palavras que prometiam glórias e tesouros, Pândaro saca seu arco e dispara contra Menelau. Acontece que Menelau estava sob a proteção da própria Atena, sendo ele salvo da flecha mortal que apenas lhe causa um ferimento leve na cintura.
Ao ver que seu irmão foi alvo de um tiro traiçoeiro, Agamemnon o protege, acreditando que Menelau está morrendo. Diz que o acordo entre os gregos e troianos foi quebrado e que os deuses hão de castigar essa traição, sendo certo para ele agora que Tróia, cedo ou tarde, será dominada. Menelau acalma seu irmão dizendo que o disparo que recebeu não foi fatal, apenas um ferimento leve que lhe derrama o sangue. Agamemnon fica aliviado ao saber disso e pede para que chamem Macóane, médico do seu exército, e este venha estancar a ferida.
Enquanto Menelau é socorrido, as forças troianas começam a se movimentar para o combate. Vendo isso, Agamemnon estimula os guerreiros e heróis gregos, os incitando a lutar contra os traidores troianos. Passa de fileira em fileira vendo as diversas tribos e seus reis, sendo todos eles membros do seu grandioso exército. Também os instrui a lutar próximo dos gregos, para que assim nenhum guerreiro mais ousado perca a vida ao se aproximar das muralhas e dos arqueiros troianos. Ao ver o velho e sábio Nestor, comenta que a idade avançada pode o prejudicar na batalha e como seria maravilhoso para ele voltar a ser jovem outra vez, sendo que Nestor responde que realmente desejaria bom ter a mesma energia de quando era jovem, mas, como os deuses não lhe foram generosos ao lhe dar esse benefício, ele ficará atrás das fileiras comandando os mais jovens com sua vasta experiência.
Quando vê Odisseu, Agamemnon o provoca dizendo porque ele não inicia o combate dos gregos, já que o exército troiano se movimentou, mas ainda não iniciou o conflito. Odisseu se mostra ofendido com a provocação, tanto que Agamemnon se desculpa pela ofensa. Também vê o herói Diomedes e, ao perceber que ele treme perante o adversário, Agamemnon o repreende com palavras pesadas, onde diz que o pai do herói jamais vacilou diante de nenhum inimigo e que Diomedes deveria ter a mesma compostura.
Assim, estando advertidos e estimulados por Agamemnon, os guerreiros gregos marcham sob o comando de seus chefes e de seus reis. Atena também estimulava os gregos, enquanto Ares estimula os troianos.
Os dois exércitos então se aproximam e os guerreiros chocam as lanças, escudos e armaduras uns contra os outros. Homero descreve a cena dizendo que os gritos e os esforços dos homens reverberam como se fossem dois rios ferozes se encontrando. Guerreiros lutam e os corpos vão caindo um após o outro no chão. Os heróis gregos se sobressaem, sendo mencionados os feitos de Ajax e de Odisseu. O deus Apolo, ao ver que os troianos estão perdendo a batalha, grita e os inspirava, dizendo que para que não temam os gregos, pois eles não são imortais e que o grande Aquiles não está na batalha.

Ilíada – Homero
Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.
Esses foram os nossos comentários sobre o quarto canto da Ilíada, de Homero, onde vimos que Zeus reúne todos os deuses numa assembleia no Olimpo e fica decidido que, num primeiro momento, os troianos sofrerão ao enfrentar os gregos.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.