Neste nosso quinto comentário sobre a Ilíada, falamos sobre o sexto canto da epopeia, onde vemos que os gregos e troianos continuam a se enfrentar, sendo que os gregos continuam a se sobrepujar por causa dos grandes feitos de Diomedes. Por causa disto, o príncipe Heitor coloca seus esforços para reverter a situação do combate e proteger o seu país.

A Ilíada de Homero
Os esforços de Heitor

A investida dos gregos contra os troianos

Sem a interferência dos deuses, os guerreiros gregos e troianos ficam sozinhos no campo de batalha e continuam a se enfrentar. Dentre os gregos, destacam-se novamente os feitos do forte Ajax e do bravo Diomedes, os dois mais poderosos heróis, já que Aquiles se retirou da batalha após as desavenças com Agamemnon e fica recluso no seu acampamento na praia. Odisseu e Menelau também se destacam batalha, sendo que este último é repreendido por seu irmão durante a guerra: quando Menelau derruba um dos heróis troianos e está prestes a mata-lo com sua lança, o troiano clama por sua vida dizendo que, se Menelau o poupar, receberá uma gigantesca fortuna como resgate. Sem tempo de pensar no assunto, já que tal fortuna seria muito bem-vinda, Menelau é repreendido por Agamemnon, que diz que todos os guerreiros troianos devem ser derrotados e mortos.

O sábio Nestor aproveita a situação para falar com todos os guerreiros gregos sobre a situação da batalha e que eles não devem poupar os inimigos troianos para depois conseguir valiosos resgates. Diz que, caso os gregos desejam enriquecer por suas glórias no combate, que pilhem os cadáveres dos mortos após a batalha e, obviamente, conquistem a cidade de Tróia e tomem os seus tesouros.

Tais palavras inspiram os guerreiros gregos e abalam os troianos que escutaram o discurso, tanto que Heleno, príncipe de Tróia, precisou pedir para que Enéias e seu irmão Heitor também inspirassem os guerreiros troianos com suas palavras, pois esses ficaram amedrontados com o discurso Nestor. Também pede para que depois ele vá até sua mãe, a rainha Hécuba, e mande-a fazer preces e sacrifícios aos deuses, para que assim eles sejam benignos com os troianos. Heitor acolhe os conselhos de seu irmão e corre pelas fileiras troianas para inspirar os guerreiros. Diz para que eles não temam o exército grego, pois precisam de coragem para defender sua pátria, sua cidade e suas famílias. Com essas palavras Heitor consegue extinguir o medo dos troianos e, após dizer para que eles mantenham as forças enquanto ele falará com os anciões, parte de volta para as muralhas de Tróia.

Ainda no conflito, Diomedes se encontra com o troiano Glauco e o instiga a lutar. Começa debochando dele, já que nunca o viu pessoalmente lutando na guerra, mas então questiona se ele, na verdade, seria algum dos deuses disfarçado. Diz para Glauco que só deseja enfrenta-lo se realmente for um mortal, pois não seria sábio desafiar os deuses. Em resposta, Glauco conta a história de sua ascendência, onde narra quem foram os seus antepassados e os seus grandes feitos. Diomedes ficam impressionado com a história e os dois decidem não se enfrentar.

Os esforços de Heitor

Enquanto isso, Heitor já estava dentro das muralhas de Tróia, indo direto para o palácio do rei Príamo. Ele encontra sua mãe, a rainha Hécuba, que questiona o retorno do filho e pede para que ele descanse. Heitor diz que seria impróprio fazer isso no momento, sendo que retornou para pedir para que ela reúna outras senhoras troianas e faça oferendas aos deuses, especialmente à Atena. Hécuba concorda com a ideia de seu filho e logo parte para o Templo de Atena para lhe fazer oferendas e sacrifícios. Pede para que a deusa corte a força do poderoso Diomedes, pois é ele quem traz sofrimento para as esposas e crianças troianas. Apesar do pedido, Atena não consente no que lhe é solicitado, continuando a querer a destruição de Tróia.

Heitor aproveita a passagem dele no palácio para ir até seu irmão Páris e traze-lo de volta ao campo de batalha. Vai encontra-lo praticando disparos com arco num quarto que estava Helena e várias aias. Vendo está cena, Heitor o insulta dizendo o quão covarde Páris é, já que fica seguro em seu quarto enquanto os guerreiros troianos morrem do lado de fora das muralhas por causa de uma guerra que tem ele como culpado. Páris concorda com as palavras do irmão, sendo que a própria Helena tentava convencê-lo a voltar para o combate. Ela diz que lamenta por ter nascido, pois se estivesse morta os gregos não desejariam destruir a cidade dos troianos para resgatá-la. Pede desculpas a Heitor, já que ele é quem carrega todo o fardo da guerra, e pede para que ele descanse um pouco junto com seu irmão. Heitor responde o convite com uma recusa, pois o desejo de voltar ao combate e enfrentar os guerreiros gregos é incontrolável. Pede para que Helena convença seu irmão a voltar para o campo de batalha, pois a ausência dele já abala a moral das tropas.

Aproveita que ainda está no palácio para ir ver sua esposa, Andrômaca, e seus filhos. Não a encontrando no seu quarto, foi descobrir que ela está nas torres e nas muralhas da cidade olhando a guerra contra gregos com desespero. Ao se encontrarem, Andrômaca diz que a coragem de seu marido poderá ser seu fim, já que a força dos guerreiros gregos é muito superior. Comenta que, se Heitor morrer, ela não terá mais ninguém além dos pequenos filhos, já que o grande Aquiles matou seu pai e todos os seus irmãos. Implora para que ele não retorne para a batalha, pois, para Andrômaca, seria melhor ver o mundo se abrir sob seus pés do que ver seu amado Heitor perecer.

Heitor responde dizendo que também teme o seu fim, mas diz pior do que a morte seria se ele fugisse do combate e de seus deveres como guerreiro para se esconder. Confessa para sua esposa que já tem como certo o fim e a destruição de Tróia pelas mãos do rei Agamemnon, mas espera que ela e seu filho sobrevivam, para que assim aqueles que os olharem digam: “vejam como vai a esposa e o filho de Heitor, aquele que morreu lutando pela salvação de sua pátria”. Ao abraçar seu filho, Heitor roga a Zeus e os demais deuses do Olimpo que o menino se torne um troiano importante como ele, que seja um comandante de Tróia e que seja considerado ainda mais grandioso do foi seu falecido pai. Vira-se para Andrômaca e diz para ela não se desesperar, pois já foi determinado pelo Fado (Destino) que todos os homens, cedo ou tarde, hão de ir para o Hades (Mundo dos Mortos).

Quando Andrômaca deixa as muralhas e volta para os seus aposentos no palácio, Páris chega até Heitor trajando sua armadura e preparado para voltar ao combate. Assim, ambos os irmãos seguem de volta para as fileiras troianas para defender seu país.

Ilíada de Homero

Ilíada – Homero

Em uma tradução direto do grego feita por Carlos Alberto Nunes, está é a melhor edição para quem busca compreender uma das maiores obras literarias da humanidade.

 

Esses foram os nossos comentários sobre o sexto canto da Ilíada, de Homero, onde vimos que os gregos e troianos continuam a se enfrentar, sendo que os gregos continuam a se sobrepujar por causa dos grandes feitos de Diomedes. Por causa disto, o príncipe Heitor coloca seus esforços para reverter a situação do combate e proteger o seu país.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre a grande obra Homero, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.