Neste nosso primeiro comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre o começo da obra, onde Brás Cubas conta que já está morto e que narrará as memórias de sua vida, começando pelos últimos dias da sua vida até o momento de sua morte por pneumonia.

Machado de Assis
A morte do defunto autor

A morte do defunto autor

A obra começa com Brás Cubas confessando que estava em dúvida se começaria a contar suas memórias pelo seu nascimento ou se por sua morte; como ele já está morto – já é um defunto, preferiu começar falando sobre sua morte, sendo está a razão de se nominar um defunto autor.

Começa contando que morreu numa tarde de 1869 aos sessenta e quatro anos. Faleceu em sua bela chácara, sendo este o momento que ele nos revela que foi um homem muitíssimo rico, mas que afetivamente era muito pobre, pois seu enterro teve a presença de apenas onze amigos. Conta que sua irmã e sobrinha sofreram muito com sua morte, mas que uma terceira mulher sofreu ainda mais (diz que no decorrer da obra revelará quem é esta mulher que, mesmo não sendo da sua família, sofreu tanto com a sua partida). Sem filhos para herdarem o que deixou, Brás Cubas diz que, enquanto aguarda o seu fim, se contenta apenas o choro destas mulheres que lamentam a sua morte. Sobre a causa que deu fim aos seus dias, diz que foi vítima de uma pneumonia, embora, apesar de parecer loucura, Brás Cubas atribui a causa à sua ideia genial que estava elaborando.

Conta que um tempo antes de morrer, teve a ideia – esta que foi tão brilhante que lhe tomou conta – de inventar um medicante capaz de curar os males e as tristezas, um emplasto. Agora que está morto, Brás Cubas confessa que o seu desejo não era acabar com nenhuma dor ou sofrimento, mas, sim, colher as recompensas e glórias de seu remédio, este que se chamaria Emplasto Brás Cubas. Este desejo de glória foi a verdadeira causa de sua morte, pois tomou conta de si com mais força do que qualquer outra coisa que já sentiu anteriormente. Lembra que dois de seus tios comentavam o que era a glória, onde um dizia que ela era a cobiça que levava os homens a perderem suas almas, enquanto o outro tio dizia que ela era a força mais verdadeira que existe dentre dos homens.

A família Cubas e Virgília

Após falar sobre sua morte, Brás Cubas começa a narrar o seu nascimento. Conta a origem de sua família, começando a falar sobre um promissor empreendedor chamado Damião Cubas que, ao morrer, deixou tudo para seu filho, Luís Cubas. Enquanto Damião não passava de um fabricador de tonéis que cresceu com seus esforços, Luís alcançou postos mais altos em sua vida por meio de seus estudos e de seus contatos, sendo ele considerado pela família como o primeiro senhor da família Cubas. Acontece que Luís era filho de um homem comum, o que não lhe dava muito crédito. Por causa disto, a família reescreveu sua vida, dizendo que ele foi um cavaleiro cristão que, ao derrotar um inimigo mouro, lhe tomou várias cubas (moedas), sendo essa a “origem” do nome da família de Brás Cubas.   

Antes de continua narrando a sua infância, o nosso defunto autor volta para falar dos seus últimos momentos de vida. Sobre o emplasto, comenta o quão dominante pode ser uma ideia, conseguindo tomar conta toda uma pessoa e que foi neste momento que foi abatido pela pneumonia. Por causa da determinação de realizar o seu brilhante emplasto, Brás Cubas conta que não cuidou da doença, sendo está a razão dele dizer que foi a ideia, e não a doença, que deu cabo de sua vida.

Então Brás Cubas começa a falar da misteriosa mulher, aquela que não era sua irmã e nem sobrinha, mas que estava presente e muito triste no seu funeral. Ela, que se chamava Virgília, foi visita-lo em seu leito quando soube que Brás estava gravemente doente, sendo que neste momento é revelado que os dois já foram amantes muito apaixonados, mas que agora não existia mais nada vivo em seus corações. Os dois conversaram sobre as novidades dos últimos tempos e então nos é revelado que Virgília tem um filho de um antigo casamento, este que agora já é um homem adulto. Sobre esse antigo casamento, também é revelado que ela e Brás se relacionavam nesta época, mesmo ela sendo uma mulher casada.

Um delírio antes da morte

Estando velho e doente, Brás Cubas conta que teve um grande delírio nos seus últimos dias de vida. Relata que começou com ele se transformando num barbeiro chinês, mas que logo tomou a forma da Suma Teológica de St. Tomas de Aquino, livro este que era muito adornado. Quando voltou a forma humana, eis que lhe surge um hipopótamo, que lhe raptou e levou o moribundo delirante para uma viagem até “à origem dos séculos”. Sem apresentar nenhuma resistência, Brás Cubas fechou os olhos e se deixou levar nesta viagem; a sensação era de muito frio, tanto que, quando finalmente abre os olhos, percebe que estão se aventurando em algum local tomado pela neve, onde animais e até o Sol eram feitos de neve. O caminho era longo, tanto que, quando o hipopótamo diz (sim, o delírio é tão grande que o animal também fala) que eles já passaram do Éden, Brás Cubas pede para conhecer a tenda de Abraão, mas a criatura diz que eles já passaram por pela tenda há algum tempo.

Então que surge um vulto feminino que se intitulava como Pandora, a própria Natureza. Brás Cubas não fica só assustado com a apresentação deste ser, mas também porque ela lhe diz que ele ainda está vivo e que ainda sofrerá mais. Dito isto, ela o pega pela cabeça e o ergue no ar. Os dois então conversam, onde Brás Cubas, após dizer que tudo isso não passa de uma alucinação, começa então a implorar pela vida, onde a figura ironiza tal desejo, já que ele nunca viveu uma vida que valesse a pena ser vivida. Prosseguindo com esse voo, ela o leva até o alto de uma montanha, onde Brás Cubas consegue ver todos os séculos da humanidade passando um após o outro.

Brás Cubas fica angustiado com as coisas que vê, já que, no geral, somente são mostradas as coisas terríveis que os homens realizaram na existência. Apesar disto e dele tentar desviar o olhar, a grande mulher segura seu rosto, o obrigando a continuar vendo o desfilar dos séculos. Quando enfim chega o seu século, percebe que ele não deixa de ser miserável como foram todos os anteriores e, no momento que Brás Cubas poderia contemplar o futuro, um nevoeiro toma conta de tudo. A última coisa que fica foi o hipopótamo, que logo foi diminuindo até se transformar em Sultão, o gato de estimação que Brás Cubas tinha em sua chácara, sendo este o fim de seu delírio e o seu retorno à lúcida realidade.

Ainda sobre a questão de sandice (delírio) e razão, Brás Cubas comenta que esta loucura, que já estava ali há muito tempo, agora tentava tomar mais espaço dentro de sua cabeça. Começa logo um diálogo entre a sandice e a razão, onde a razão se mostra revoltada pela sandice ir invadindo o seu espaço cada vez mais.

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Memórias Póstumas de Brás Cubas – Edição de Luxo

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Esses foram os nossos comentários sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde Brás Cubas conta que já está morto e que narrará as memórias de sua vida, começando pelos últimos dias da sua vida até o momento de sua morte por pneumonia.

 

Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.