Neste décimo primeiro comentário sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, falamos sobre o final da obra, onde Brás Cubas está velho e percebe como desperdiçou sua vida, lamentando não ter realizado nada de importante e nem tendo construído uma família.

O alienista
O nosso defunto autor conta que foi ao velório de Lobo Neves, tendo presenciado o grande sofrimento de Virgília durante o enterro de seu marido. De volta para sua casa, Brás Cubas conta como ficou intrigado com Virgília, pois ela traíra seu marido e, ainda assim, chorou e sofreu muito com seu enterro.
Quando vai dormiu, sonha que era um chefe de província e, ao acordar, fica com a ideia na cabeça. Pensa em como seria se o arcebispo fosse obrigado a trabalhar como coletor da cidade. Quincas Borga, que já não tem todos os parafusos no lugar, diz que o amigo está enlouquecendo e recomenda que ele vá até um alienista – um médico de loucos. Ao visitar o tal médico, Brás Cubas não é diagnosticado como louco; o doutor diz que todas as pessoas são levemente loucas, o que acaba acalmando um pouco o nosso protagonista, embora finalmente explicite que Quincas Borba é realmente louco. O doutor alienista comentou a situação de um dos criados de Brás Cubas, que acreditava ser dono de todas as coisas do mundo. Quincas Borba, que era louco, divergiu desta opinião após saber sobre o que o médico disse. Segundo ele, o criado tinha um sentimento de posse sobre as coisas do mundo, e que isso não era sinal algum de loucura.
Brás Cubas se entristece com a insanidade do amigo, esta que agora era mais clara do que nunca. Ao dizer para Quincas Borba que o alienista o acusou de estar louco, o nosso filósofo louco fica espantando com tal acusação.
A Ordem Terceira
Para piorar, quando Brás Cubas se reconciliou com Cotrim e foi iniciado numa ordem pelo cunhado, Quincas Borba disse que não via poder em tal coisa, embora tenha alertado Brás que isso deveria ser temporário, pois o Humanitismo também se encaixava como uma religião dogmática
Sobre essa ordem que Brás Cubas entra, que segundo ele era uma tal Ordem Terceira, relata que foram os melhores anos de sua vida. Por aparentar ser uma ordem iniciática esotérica, o nosso defunto autor se resguarda ao manter segredo e não nos conta muita coisa, somente mencionando as obras de caridade e as recompensas que recebeu por estar ali.
Os últimos anos de Brás Cubas
Após uns três ou quatro anos, saiu da ordem, deixando de lado os ofícios que ele tanto se orgulhava de ter realizado; diz até que colocaram um retrato seu no templo da ordem. Lembra que, durante as atividades de caridade que fazia como membro da ordem, acabou presenciando a morte de Marcela, a mulher espanhola que ele se apaixonou na juventude. Nestas andanças também reencontrou Eusébia, a triste filha coxa de D. Eugênia que ele se afeiçoou quando retornou da Europa.
Foi nessa época que o nosso protagonista percebeu que já era um homem velho. Ao reencontrar essas duas figuras femininas de sua juventude e ver que elas já não eram as belas flores de antigamente, Brás Cubas sente o peso da idade nas suas costas.
Para piorar, seu amigo Quincas Borba, que já era um tanto louco, começa a apresentar sinais claros de demência. Ele, que vinha há anos escrevendo o manuscrito final de sua filosofia, chega e informa a Brás Cubas que queimou toda a sua obra para então recomeçar do zero. Até Quincas Borba admitia a sua loucura, o que terminou de entristecer ainda mais o nosso protagonista. Veio a morrer algum tempo depois na casa de Brás Cubas, sendo que as suas últimas palavras foram algumas considerações filosóficas sobre a dor.
O fim das memórias póstumas do defunto autor
O nosso defunto autor chega ao fim de suas memórias comentando que os eventos que ocorreram entre a morte de seu amigo Quincas e sua própria foram os eventos narrados no começo deste livro, sendo que o principal foi a invenção do seu emplasto Brás Cubas. Como está morto, lamenta que não ter tido tempo de lançar este brilhante projeto e, finalmente, alcançar o podium entre os grandes homens.
Termina as memórias de forma negativa, onde diz que não alcançou sucesso em nenhuma de suas empreitadas ao longo da vida, assim como não conseguiu se casar com uma mulher e ter um herdeiro. Comenta que, por causa da fortuna que herdou de sua família e daquela que foi acumulando, nunca precisou suar para colocar a comida na mesa, mas que também não deixou ninguém para herdar esse dinheiro e ninguém para herdar o seu legado infeliz.

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Edição de Luxo
Edição de luxo em capa dura da Ediotra Garnier é a melhor versão desta obra fundamental para a literatura brasileira.
Esses foram os nossos comentários finais sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde Brás Cubas está velho e percebe como desperdiçou sua vida, lamentando não ter realizado nada de importante e nem tendo construído uma família.
Eu sou Caio Motta e convido você a continuar acompanhando os nossos comentários sobre as grandes obras de Machado de Assis, bem como demais textos da grande literatura universal presentes no nosso blog.